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Formou-se uma grande corrente de solidariedade de João Pessoa a Cajazeiras e tenho recebido mensagens de apoio dos quatro cantos da Paraíba. Participei dos programas de Samuka e Emerson, na Correio, e do programa de Marcelo José, na Sanhauá.

No senadinho do Cannelle recebi pessoalmente a solidariedade dos colegas de batente, a quem agradeço pela força.

Também agradeço o belo texto do amigo Helder Moura, do G1 e CBN, escritor de sucesso internacional com o livro “O incrível testamento de Dom Agapito”, que repercuto agora:

VIOLÊNCIA NA PARAÍBA: AMEAÇA CONTRA JORNALISTA É UM ATENTADO À DEMOCRACIA

Por Helder Moura

O que dizer, meu caro Paiakan, de um Estado onde se matam mais de 15 policiais? Como entender que, em menos de seis meses de 2015, mais de 700 pessoas, supostamente civis tenham sido assassinadas? Mas, na Paraíba de hoje são os próprios policiais que vão às ruas para protestar contra a violência e cobrar providências do Governo do Estado. Beira ao surrealismo. Nem seria preciso dizer muito mais.

Porém, este também é o Estado onde os jornalistas são cotidianamente afrontados pelo Governo, que não admite o contraditório. Quantos não são os relatos de jornalistas que já se disseram perseguidos em suas empresas, por contrariarem o governante? Quantos não perderam seus empregos? Este é o Estado onde jornalistas são ameaçados pelos próximos do governador, como foi o caso de Dércio Alcântara.

E por que? Porque a arrogância do autoritarismo não admite o contraditório. Mesmo compreendendo o caráter ditatorial, não deixa de ser impressionante a audácia de pessoas, supostamente protegidas pelo manto do poder, decidirem ameaçar os jornalistas, porque não podem permitir o livre exercício da Imprensa crítica. Agora, imaginem uma democracia onde a Imprensa não pode exercitar a critica.

E por que Dércio não teria o direito de relatar, por exemplo, as críticas que o radialista Diego Lima, chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação do Estado, fez contra os deputados estaduais por participarem de uma reunião da Unale? Aliás, está no papel do funcionário do Governo defender o Governo, e para este Governo deputado viajar é algo inaceitável. O governador pode, os demais, não.

O governador pode, como sabemos, viajar em pleno réveillon pro Rio de Janeiro, usando o avião King Air, do Estado, para usufruto pessoal, como foi denunciado pelo deputado Gervásio Maia. Mas, os deputados não podem participar de evento promovido pela entidade que reúne parlamentares do País. É uma lástima, num Estado em que o governante se comporta como ditador, as coisas funcionam assim.

Assim, meu caro Paiakan, mais do que solidariedade ao colega Dércio Alcântara, vai a solidariedade à liberdade de Imprensa, covardemente ferida com as ameaças dos próximos do poder, que tentam impedir o livre exercício da expressão. Essas pessoas agem assim, com tanta arrogância, porque se espelham no seu comandante. É próprio dos soldados adquirem a índole de seus generais.

Pior: não há a quem reclamar. Ao Governo que certamente inspira tais práticas? E o que pode acontecer a partir de agora? O que virá depois das ameaças? A execução? E depois de Dércio, quem será o próximo? E quantos mais virão? Não queremos acreditar que a Paraíba vai aceitar impavidamente a instauração de um regime de terror, em que as pessoas não podem mais circular nem falar livremente o que pensam.

Confira em http://youtu.be/1CEqrVb8ySU  o áudio com ameaça a Dércio Alcantara, cometida, supostamente, por um irmão do radialista Diego Lima.