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Desço do carro e vou em direção ao Saladelas. Hora do almoço. Entre descer do carro e chegar até o balcão de saladas e arroz integral, que serão acompanhados invariavelmente por peixe e azeite extra virgem, sou cumprimentado por três pessoas e o último diz que ta viciado no blog e abre várias vezes por dia para se atualizar.

Para qualquer profissional é alimento, recompensa. Ele vai falando e eu vou ponderando para saber se ele acessa porque é estilingue ou tem me acompanhado porque é vidraça. Aquela coisa de amor e ódio.

Nesse meio tempo, vou me preparando para tudo. Se ele gosta do blog e junto comigo atira as pedras, se indigna, peço paciência pelos devaneios e agradeço a presença de mais um na cruzada. Confesso que sou o caçador de alma sebosa, como um dia assim me batizou o amigo Giovanni Meireles.

Mas sempre há a hipótese de o cara ser do Coletivo RC, parente de desembargador, fornecedor inescrupuloso contrariado de algum esquema corrupto ou simplesmente vidraça. Nestes casos, me preparei antes de iniciar a caminhada contra as injustiças como militante contra a ditadura. Não abro nem para um trem carregado de dinamite com um doido fumando em cima.

Quem desafiou o “posso tudo”, prendo e arrebento dos generais e foi às ruas pichar e organizar a resistência disposto até a manusear um fuzil automático leve, não vai se intimidar com cara feia ou ameaças. Pode processar.

Mesmo assim, até nestes casos gosto de ouvir a versão de quem se sente atingido e, se proceder, reparar. Recuar é outra coisa, pois faço do meu blog a caixa de ressonância de quem não tem mais nenhuma esperança nem ninguém a recorrer. Se meia dúzia ta chateada comigo porque fiz a casa cair, me gratifica ajudar a fazer justiça a milhares.

Profissionalmente estou realizado e não dependo de nenhum emprego público. Nasci e me criei na iniciativa privada e de lá tiro o meu sustento tendo o povo que defendo como patrão.

Se você gosta do que eu digo, seja sempre bem vindo e desculpa se vez por outra atualizo com menos velocidade este espaço de catarse coletiva; se você é uma vidraça e as minhas pedras estilhaçaram a sua fachada saiba que de nada adiantará aumentar a espessura da blindagem, pois a cada dia tem mais gente arremessando-as comigo.

Assim como aquele personagem da novela Insensato Coração, o meu lema também é impunidade zero.

Sou jornalista e nunca deixo barato.