Fale Conosco

Errar é humano, mas padecer no erro é burrice. Como o governador Ricardo Coutinho não é burro, sou obrigado a admitir que seja desumano. E, convenhamos, ele não é normal.

Numa democracia supõe-se que a vontade soberana da maioria se imponha sobre o que não teve maioria para se impor como opção e a isso chamamos de pirâmide invertida, onde a base ascende e define o que vai ser o topo. 

Na lógica de Ricardo Coutinho não. Ele é a pirâmide e a base o alicerce de sustentação chumbado sem nenhuma mobilidade para a inversão.

Como se sente um Ronaldo Barbosa quando chega em casa e vai conversar com a sua Valquíria Alencar sobre o resultado de uma reunião do PSB, onde é o presidente do diretório da Capital?

Pergunto isso porque conheci Ronaldo nos anos de chumbo debatendo acaloradamente nas assembléias da Ampep os rumos da categoria dos professores da rede estadual.

Voto aplaudido ou voto vencido, ali Ronaldo se realizava ao exercer sua cidadania em meio a uma democracia, arrodeada de ditadura por todos os lados.

                           

Hoje, décadas após termos derrubado a ditadura e restabelecido a democracia, Ronaldo Barbosa vive numa ditadura arrodeada de democracia por todos os lados.

Digo isso porque quando ele entra numa reunião do partido ou do Coletivo RC deixa no capacho da porta sua opinião, seus desejos e sua história.

Domado, Ronaldo despe-se de ideais e senta a mesa com a opção de concordar com tudo que Ricardo Coutinho vai dizer e, ao final, aplaudi-lo.

Conheci todos os atores da política girassol ainda jovens e alguns até na puberdade. Entendo que o idealismo de quem tem 16 anos vai sofrer mutações e chegar aos 50 com outros valores ou falta deles agregados.

O que não entendo é a falta de auto-estima de quem sufoca no peito a maravilhosa capacidade de elaborar e invocar reflexões de alguém de meia idade.

Explique-me estimado amigo Ronaldo Barbosa em que lugar da jornada você deixou cair aquela capacidade que você tinha de dizer verdades com um sorriso no rosto que até os mais ferrenhos adversários das assembléias da vida se encantavam e cediam aos argumentos sempre plausíveis.

O que você diz a seus filhos e netos quando eles questionam as irregularidades que se avolumam nas gestões do seu partido, seja no Estado ou Prefeitura da capital?

E quando a mãe ou pai de um amigo deles se desespera ao saber que seu nome foi incluído na lista dos que ficarão desempregados pelo falso moralismo de um tirano que um dia ascendeu montado no cavalo da democracia?

Como você vai se olhar no espelho após receber a notícia de que o prefeito Luciano Agra foi preso ou teve os bens indisponibilizados por ter, assim como você, deixado a personalidade no capacho da porta todas as vezes que foi participar de uma reunião com Ricardo Coutinho?

Amigo Ronaldo escrevi este artigo para lhe lembrar que um dia juramos a nós mesmos mudar esse País para que nossos filhos e netos usufruíssem o que nós não usufruímos na juventude.

O Brasil mudou pra melhor e alguns de nós pra pior. Derrubamos a ditadura arriscando nossas vidas e você hoje cultua um ditador que riscou sua vida e que iniciou trajetória de queda, pois está em curva descendente. Anote: essa patomima vai terminar em tragédia.

Não acredito que você seja igual aos que estão se locupletando à custa da merenda, lixo e livros.

Mas quero lembrar-lhe que aprendi com você a não ter clemência de quem entra em rota de colisão com o anseio popular.

Você se anulou, mas, por favor, não suje sua história de vida e mantenha as mãos limpas.

Saia daí enquanto resta em mim algum respeito ao seu passado.

Você me conhece e sabe o que eu sei e, não duvide, serei implacável.