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Falar de coisas místicas que separam vida e morte não é tão fácil, posto que o mistério que ronda o tema sempre nos deixa sem as palavras adequadas.

A dor que um pai sente quando se despede de um filho é maior do que quando o filho se despede de um pai, pois a lógica prevê que o mais novo terá a vida toda pela frente.

A dor que o radialista Gutemberg Cardoso sente agora ao perder para o destino a filha de apenas 26 anos, só ele mesmo pode dimensionar.

Naquela cabecinha um tobogã desliza memória abaixo os retratos da vida de ambos, desde a primeira vez que se viram até a última que se falaram ao telefone, pelas redes sociais ou ao vivo.

A morte estarta dentro de nós um sentimento da última vez, do não reencontro, finish.

Não rever é o que desata o pranto, pois sempre vamos achar que nem tudo que tínhamos de fazer e falar um para o outro estava transitado e julgado na timeline da vida.

Céticos para os outros estágios, muitas vezes não queremos aceitar o fato de que nem toda partida é perda e nem toda perda é partida.

Deus seria medíocre se restringisse Sua criação a uma única etapa. Como pode alguém galgar avanços, acumular conhecimentos e simplesmente morrer?

Como diria Milton Nascimento, “amigo agente encontra, o mundo não é só aqui, repare naquela estrada a que distância nos levará…” Há vida além da vida e a menina Ana Carolina está experimentado isso agora, recebendo e emanando luz.

Querer entender como uma pessoa que cuidava tanto da saúde perdeu a vida subitamente exercitando-se em uma academia aos 26 anos requer uma reflexão sobre a missão que cada um de nós temos na esfera em que nos encontramos, pois nada acontece por acaso.

Não vou me aprofundar na doutrina espírita e na lógica das reencarnações, mas peço a Gutemberg Cardoso que conforte o seu coração e cumpra o seu destino sem amarguras. Você fez o que estava para ser feito, ela também.

Mire-se no exemplo que Carolina deixou, cuide-se e cuide de seus ouvintes. Esta é sua missão.

Força, irmão!

Em tempo: faremos uma pausa de 24 horas em solidariedade ao amigo e in memoriam de Ana Carolina Cardoso.