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Lembram daquela expressão “ele rouba até pirulito de criança”? É uma frase feita muito usada para definir o estilo sem freio de quem não tem escrúpulo nem para deixar de fora das suas perversidades crianças ingênuas e indefesas.

No caso da “Máfia da Merenda”, esquema nacional comandado por quatro ou cinco fornecedores, dentre estes a famigerada SP Alimentação, que venceu a licitação em João Pessoa por manobras no edital de licitação, alterado para deixar de fora os fornecedores regionais, a falta de escrúpulo passou dos limites.

Todos sabem que nos colégios municipais estudam as crianças mais carentes e estes se alimentam na escola através da merenda, pois em casa dificilmente terá comida de forma regular.

Mexer então com a merenda equivale a tomar pirulito de criança.

E quem não teve coração para deixar de fora esse recanto sagrado da administração pública?

Sabe-se através membros da “Máfia da Merenda”, que estão em processo de delação premiada, que o esquema funcionava a base de propina e o grupo participava orquestradamente de vários pregões, promovendo um rodízio dos vencedores para não chamar atenção.

Ontem numa reportagem do Fantástico todos ficamos sabendo que a “Máfia da Merenda” oferece 10% do valor do contrato como contrapartida.

Não podemos afirmar que este é o caso da Prefeitura de João Pessoa, que mantém a ferro e fogo a SP como fornecedor mesmo após orientação em contrária, mas se a corrupção de gestores é uma tática desta máfia é provável que alguém na PMJP tenha se beneficiado. A pergunta é, quem?

A SP Alimentação foi acusada pelo MP de pagar propina em 57 prefeituras, estaria João Pessoa inclusa neste pacote?

A SP entrou na PMJP na gestão do ex-prefeito Ricardo Coutinho em 2009 e se manteve na gestão de Agra, que inclusive chegou a rejeitar verbas federais no valor de 2,4 milhões para manter a SP como fornecedora da merenda.

Pergunto: que vantagens a SP oferece ao alunado para virar intocável? Segundo a reportagem do Fantástico, nenhuma, pois a comida vai parar na lata do lixo de tãoruim que é. Mas há quem diga que a SP fatutra alto por partinhos extras, pois a repetição lhe garante mais R% 1,50 por repeteco e talves seja aí que o segredo dorme. Basta relatar que houve repeitição que a conta engorda. Para todos.

Pergunto: que vantagens a SP Alimentação trouxe a PMJP, que apesar das denúncias de licitação viciada feitas antes do pregão ele se manteve pré-qualificada, disputou e venceu?

Pergunto: se a “Máfia da Merenda” tem como chamariz oferecer 10% do contrato a quem facilita a sua operação, quem recebeu ou recebe esta propina, que pelo contrato seria na ordem de 4,5 milhões.

O modus operandi da SP é muito simples: seus executivos contactam gestores e oferecem um esquema seguro e menos chamativo da mídia e do MP que as propinas tradicionais via obras públicas.

O edital é feito de forma que o perfil da empresa que queira disputar tenha um capital declarado no contrato social bem superior a média dos que poderiam concorrer e isso beneficia o grupo paulista que vence todas as licitações Brasil afora, obviamente com o empurrão fundamental do gestor.

A licitação parece licita aos olhos dos leigos e até dos Tribunasi de Contas, pois venceu quem ofereceu o menor preço, mas pelas características da mudança estratégica do edital percebe-se que a fraude começa na convocação do pregão e se consuma depois no dia a dia do fornecimento pela péssima qualidade do que é servido e que vai parar na lata do lixo, como mostrou a reportagem do Fantástico. É o famoso gato por lebre. Com todos “comprometidos”, a SP oferece um cardápio na licitação e depois fornece outro e todo mundo fica quietinho.

Nesta terça feira a secretária de Educação Ariane Sá, esposa do “cientista político” e chefe de Gabinete do governador, Lúcio Flávio, que é irmão do ex-secretário de Educação da PMJP, Walter Galvão, comparecerá à Câmara para esclarecer esses e outros fatos obscuros.

Perguntar não ofende: quem oferecerá o anel para não perder os dedos?

Veja a reportagem do Fantástico.