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Após mais duas entidades que representam caminhoneiros se retirarem da greve programada para a última segunda-feira (01), foi oficialmente encerrada a greve do caminhoneiros. O protesto que tinha como objetivo pressionar um diálogo com o governo federal chegou ao fim sem avanços.

Na terça-feira (02), a ANTB (Associação Nacional de Transporte do Brasil) já havia comunicado a decisão de se retirar da mobilização. Nesta quarta-feira (03), o CNTRC (Conselho Nacional do Transporte de Cargas) e a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) oficializaram a decisão de saírem da mobilização.

Com uma pauta de reivindicações de dez itens, a expectativa era de que esta paralisação repetisse o efeito da greve realizada em 2018, onde o país parou por 11 dias e deu origem à tabela de preços mínimos para os fretes rodoviários.

Em nota, Plínio Dias, presidente do conselho, parabenizou os caminhoneiros que participaram do protesto e também os que manifestaram apoio à mobilização.

A CNTTL disse, também em nota, que a orientação para que os caminhoneiros ficassem em casa reduziu a visibilidade do movimento e deu a impressão de que a adesão foi baixa, uma vez que o movimento nas estradas parecia normal.

A decisão de não sair para trabalhar e, assim, não ocupar rodovias, também foi apontada pelo presidente da ANTB, José Roberto Stringasci, como um ponto de enfraquecimento do alcance do movimento. Para ele, houve boa adesão à greve no início da manhã de segunda. O CNTRC disse ter havido “significativa redução do tráfego nas rodovias”. Pressionados, os motoristas acabaram voltando para a estrada.

Ainda assim, segundo estimativa do conselho, pelo menos 70 mil veículos transportadores teriam deixado de trafegar, carregar ou descarregar produtos entre os dias 1º e 2.

Stringasci, da ANTB, afirmou que a decisão de encerrar a greve foi necessária diante do que ele considerou uma forte pressão do governo para que a mobilização não crescesse. Em sua avaliação, uma percepção equivocada de que o movimento tinha viés político-partidário enfraqueceu a mobilização. “Agora vamos nos reagrupar, reorganizar, para só então decidir. Vamos definir uma nova data e nova estratégia”, disse.

Em nota, o conselho criticou o que chamou de prática antidemocrática a existência de decisões judiciais proibindo o bloqueio de rodovias — houve liminar em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná — e as medidas tomadas pelas concessionárias para evitar que que o motoristas ficassem parados.

As entidades que aderiram à greve pediram que os motoristas não deixassem suas casas na segunda-feira, mas, para quem estava na estrada, a recomendação era para que não deixassem os postos de descanso e tentassem mobilizar outras pessoas.

Apesar da convocação por três entidades de caminhoneiros, o movimento grevista não decolou. As insatisfações com o preço mínimo do frete e o alto preço do óleo diesel não foram suficientes para mobilizar os motoristas.

A oposição ao movimento não partiu apenas do governo. Entidades como CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) e Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores) não participaram da greve. As duas últimas estiveram entre as que organizaram a paralisação de 2018.

Grupos patronais, como a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística e a CNT (Confederação Nacional do Transporte) também divulgaram notas contrárias à paralisação. O agronegócio, apoio importante à greve em 2018, considerou irresponsável uma paralisação neste momento, quando terá início o escoamento das safras de milho e soja.

O conselho do transporte e a confederação do setor logístico disseram, em suas notas, que as entidades de transportadores e motoristas autônomos “continuarão na luta para que os destinatários da pauta de reivindicações respondam à categoria a fim de garantir uma agenda de discussões com garantia participativa.”

Folha de S.Paulo