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Além de considerarem irresponsáveis as críticas de Jair Bolsonaro em relação à vacina, secretários de Saúde também atacaram a forma como a Anvisa lidou com o problema, fazendo anúncio pela imprensa e dando margem para uma guerra de versões sobre a eficácia da vacinação. Eles defendem, porém, a atuação da agência no mérito. Dizem que manter a suspensão é uma decisão correta, sob o argumento de que o suicídio pode ser um evento adverso do medicamento — embora improvável.

“A decisão foi correta. O suicídio pode, sim, ser um evento adverso. O que tem que fazer é investigar logo e liberar a continuação dos testes. Isso não pode ser motivo para segurar as pesquisas por muito tempo”, diz Carlos Lula, presidente do conselho que reúne secretários de saúde, o Conass.

“A pergunta que não quer calar é: temos ministro da Saúde? E, se temos, ele estava aonde neste episódio todo”, pergunta Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Saúde. Ele afirma que a falta de transparência e desorganização da Anvisa ampliaram a politização.

“Nunca vi comemorar que não vamos ter remédio, como se fosse um gol, isso é insano”, completa, sobre a manifestação de Bolsonaro.

O governo da China diz que está acompanhando o caso. A suspensão da produção da vacina da Sinovac ocorreu apenas no Brasil. Segundo o ministro conselheiro Qu Yuhui, da embaixada chinesa, a informação de que dispõem é a mesma do Butantan: a de que a morte do voluntário não tem relação com a vacina.