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Para os mais devastadores desastres naturais ocorridos no planeta Terra ao longo dos tempos – terremotos, furacões, maremotos, inundações, tufões, vulcões, tsunamis, pestes, incêndios – houve sempre uma solução humana, mesmo a custo de muitas mortes e desestruturação do meio ambiente, êxodo e elevados prejuízos econômicos, às vezes tidos como insuportáveis.

Diante do Dilúvio, provavelmente o maior desastre natural já ocorrido sobre a Terra, Noé teve tempo para organizar-se e repovoar o nosso mundo. Era o recomeço de tudo, porque Deus imaginava poder reiniciar sua obra a partir de sementes melhores a fim de depurar o gênero humano, naquela época metido como hoje em gravíssima corrupção e inaceitável degenerescência moral. Quem sabe, Deus tenha ainda de fazer nova reengenharia de sua criação – uma recriação menos assombrosa.

Segundo o Gênesis “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuadamente mau todo desígnio do seu coração; e então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração” – 5, 6.

Acrescenta o Gênesis que “Viu Deus a terra e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda a carne, porque a terra está cheia de violência dos homens; eis que os farei desaparecer juntamente com a terra. Faze uma arca de tábuas de cipestre; nela farás compartimento e a calafetarás com betume por dentro e por fora” – 12, 13, 14. E detalhou Deus o plano que parecia infalível, não fosse a volta da terra e do homem depois do Dilúvio. Somente Noé viveu ao todo 950 anos, 350 depois do Dilúvio.

Passada a era do Dilúvio, o mundo e os homens retornaram ao que foram antes, porque, ao que parece, Deus não mensurou corretamente a capacidade destrutiva de sua própria criação.

NÃO É CASTIGO DE DEUS

Deixando o Gênesis de lado, com recomendações à sua leitura, nos apeguemos à seca nordestina, mais ligada aos movimentos e manifestações naturais do planeta do que ao castigo de Deus. Agora, até a região Sul do Brasil já tem secas periódicas, e não há nada que possa provar que Deus estaria irado logo com o Brasil e a África, cujas populações não são moralmente as piores do mundo.

Se Deus quisesse mesmo punir o povo com a seca, porque haveria de maltratar os penitentes fiéis que põem o joelho no chão até sangrar e lhe endereçam súplicas, amor e fé? Quem teria visto castigo tão injusto?

Vale a pena desconfiar cada vez mais de que os castigos sofridos pelo povo nordestino durante esses anos todos de secas reincidentes, são obra dos políticos, especialmente dos administradores públicos, que não criam sistemas de defesa do homem contra as inevitáveis reações catastróficas da natureza.

Mas, enquanto não aparece a solução, talvez fosse justo criar uma nova arca de Noé, colocar nossos governantes dentro, abrir compartimentos para outros bichos da mesma espécie, calafetar  com betume e soltar ao mar, com o compromisso de Deus de que os mares seriam separados dos continentes por um imenso buraco negro, de sorte que eles nunca mais pudessem voltar às origens.

Vocês já viram no que deu só porque o Senhor deixou Noé voltar a terra com tanta raça sem futuro que hospedou em sua arca, não foi? Pois bem, não custa nada prevenir, né?