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O Ministério Público Federal de Goiás pediu uma pena de 80 anos de prisão para o empresário Carlos Cachoeira, acusado de exploração de jogo ilegal e corrupção de agentes públicos.

O cálculo da pena se refere à acusação de que Cachoeira cometeu os crimes de corrupção, formação de quadrilha armada e acesso indevido a informações sigilosas.

Ao todo, os procuradores apontaram 17 casos em que o empresário teria praticado esses crimes. A conta dos 80 anos representa uma média das penas sugeridas.

Cachoeira está preso desde 29 de fevereiro e é o pivô de um escândalo que resultou em uma CPI no Congresso e na cassação do mandato do então senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), com quem mantinha relações.

O processo judicial contra o empresário entra numa semana decisiva. A defesa deve apresentar as alegações finais, passo anterior à proclamação da sentença pela Justiça Federal de Goiás.

“O Supremo Tribunal Federal está julgando o que o Ministério Público chamou de o mais grave e ousado esquema de corrupção que existiu no país e a maior pena foi de 40 anos. Nenhum dos réus foi preso durante o processo. Estão brincando de direito penal com meu cliente”, afirmou o advogado de Cachoeira, Nabor Bulhões.

Eles se refere ao julgamento do mensalão, que condenou 25 réus, entre eles Marcos Valério Fernandes (40 anos e 1 mês de prisão).

  Editoria de arte/Folhapress  

CPI

A CPI do Congresso criada para investigar as relações de Cachoeira com políticos também entra na fase decisiva.

O deputado Odair Cunha (PT-MG) apresenta amanhã seu relatório final e irá confirmar que a empreiteira Delta, que tem contratos com o governo federal, foi usada para dar aparência legal ao dinheiro do esquema, tudo com o apoio de políticos.

Mas as investigações da comissão não avançaram significativamente em relação ao já apurado pela PF.

Dominada pela base governista, a CPI deixou de investigar entre outras coisas ramificações do esquema em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar de a Delta ter expandido seus negócios na gestão do atual governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), ele não foi convocado a prestar depoimento.

Até ontem à noite, o relator ainda manifestava dúvidas sobre pedir o indiciamento do governador Marconi Perillo (PSDB-GO), que, segundo a PF, teve o governo loteado por indicados de Cachoeira, entre outras acusações.

O governador Agnelo Queiroz (PT-DF), que teve seu chefe de gabinete envolvido no caso, não será alvo do relatório do petista. Os dois governadores, que negam participação em irregularidades, são investigados pelo Superior Tribunal de Justiça.

Entre os deputados, o relator deve pedir o indiciamento de Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO) por vários crimes. O tucano seria um dos braços políticos de Cachoeira. O deputado responde a processo na Corregedoria da Câmara.

No relatório, também haverá o pedido de indiciamento do prefeito de Palmas (TO), Raul Filho (eleito pelo PT), que aparece em vídeos negociando com Cachoeira.

Tanto o deputado quanto o prefeito também negam irregularidades.