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A denúncia de corrupção nas eleições para o governo da Paraíba, no aspecto do uso da máquina pública, vem sendo jogada ao meio-fio pela imprensa já algum tempo. Portanto, como se trata de um assunto já reiteradamente comprovado, inclusive através de  documentos e depoimentos de servidores estaduais, então cabe ao Ministério Público Eleitoral se pronunciar. Por outro lado, e mais uma vez, dentro do seu senso crítico que lhe é peculiar, o jornalista Rubens Nóbrega, em sua coluna desta sexta (12) no Jornal da Paraíba, tratou do assunto sob o título “Corrupção eleitoral”.

Então, continue a leitura:

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“Formalmente, contando da primeira assinatura na Carteira de Trabalho, completei em julho passado 40 anos de jornalismo. Neste ofício, quem o exerce obriga-se a acompanhar – em geral para noticiar ou analisar – o que se passa no meio político e administrativo de todas as esferas, níveis e instâncias de poder, do municipal ao federal. Por conta desse tempo de janela ou batente, presumo ter alguma credibilidade para dizer o que vou dizer agora: após rebobinar e passar a fita desses quatro decênios, não encontrei nem lembrei, sinceramente, de qualquer campanha eleitoral – como essa de agora – com tantas denúncias e evidências de tão ostensivo e despudorado uso da máquina pública em favor de uma candidatura.

Nos procedimentos já divulgados que caracterizam inequívocas condutas vedadas, nos termos da legislação eleitoral, destacam-se a arregimentação, mobilização e movimentação do exército de cabos eleitorais formado por comissionados e prestadores de serviço. Todos pagos com o dinheiro do contribuinte para fazer campanha, muitos deles forçadamente, pois se submetem em razão da mais primária necessidade de sobrevivência.

Disso se aproveita quem não tem pejo de abusar do poder político e econômico tanto para contratar como para demitir quem se recusa a participar de bandeiraços, adesivaços, panfletaços e as não menos famosas ‘visitas qualificadas’. Nas calçadas das avenidas mais movimentadas ou na abordagem casa por casa, a presa fácil desse rolo compressor é, claro, o eleitor mais pobre e mais despolitizado, inteiramente vulnerável à pressão e métodos de convencimento dos compradores de voto.

Mas os mentores e operadores do esquemão que se cuidem! Da mesma forma que não consigo localizar na minha história de jornalista algum paralelo de tamanho esforço para desequilibrar as condições de disputa, também não consigo imaginar uma vitória da impunidade para o caso presente. Tenho a mais fundada esperança de que o castigo virá. Meu otimismo está todo ele concentrado na competência e diligência do Ministério Público Eleitoral.Investigador dos malfeitos e propositor das ações cabíveis para responsabilizar e punir quem for encontrado em culpa, o MPE haverá de pedir e conseguir na Justiça, além do enquadramento do chefe e seu bando nos rigores da Lei da Ficha Suja, a devolução integral do dinheiro do povo que estão gastando para corromper eleitores.”