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Em depoimento nesta quinta-feira (13) na CPI da Pandemia, o gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, afirmou que enviou uma carta ao presidente Jair Bolsonaro, e aos ministros do governo, com o objetivo de ofertar vacinas contra a Covid-19 para o Brasil.

Conforme relatado por Carlos Murillo, a correspondência, datada de 12 de setembro de 2020, não foi respondida por nenhum dos destinatários.

A fala do executivo confirma a declaração feita pelo ex-secretário de Comunicação do governo Fábio Wajngarten à CPI, que disse ter conhecimento da carta somente em 9 de novembro de 2020, após ser alertado pelo dono da Rede TV, Marcelo Carvalho, de que o documento precisaria ser respondido.

No mesmo dia, Wajngarten enviou uma resposta à Pfizer, depois de dizer que recebeu executivos do laboratório em pelo menos três ocasiões, na sede da Secretaria de Comunicação, no Palácio do Planalto.

Segundo Carlos Murillo, a carta foi endereçada a Bolsonaro, ao vice-presidente Hamilton Mourão, ao então chefe da Casa Civil, Braga Neto, ao ministro da Saúde à época, Eduardo Pazuello ao titular da Economia, Paulo Guedes, e ao embaixador brasileiro em Washington, Nestor Foster.

Ao ser perguntado pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), se a correspondência havia sido respondida por algum dos destinatários, o executivo da Pfizer replicou negativamente.

Um trecho da correspondência frisa que não houve resposta do governo a uma oferta de venda de 100 milhões de doses de vacinas ao Brasil feita em 26 de agosto de 2020, durante reunião com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco. Outras duas reuniões foram feitas para tratar do mesmo assunto nos dias 14 e 18 do mesmo mês.

Os membros da CPI consideram o depoimento de Carlos Murillo importante para atestar as suspeitas de que o governo federal demorou a adotar providências para adquirir vacinas contra a Covid-19.

Correio Braziliense