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Um nome que estava esquecido em torno das articulações pela agenda econômica do país está de volta. Renan Calheiros (MDB-AL), ex-presidente do Senado, assumiu as rédeas para aplainar as relações entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em briga aberta pelo protagonismo do andamento das reformas estruturais.

A aproximação do presidente da República com o ex-presidente do Senado, que é alvo de pelo menos 13 inquéritos de corrupção, no entanto, não está sendo vista com bons olhos pelo grupo de apoiadores de Bolsonaro. Os elogios de Calheiros ao “legado” de Jair no que ele classifica como “desmonte do estado policialesco” caiu como uma bomba em uma parcela bolsonarista.

A William Waack, Calheiros elogiou Bolsonaro por ações especificamente voltadas à Lava Jato. “Eu não sou da base do governo, mas eu entendo que o Jair Bolsonaro, para além das diferenças que nós temos, ele pode deixar um grande legado para o Brasil que é o desmonte desse estado policialesco que tomou conta do nosso país. Ele já encandeou várias medidas, desde o Coaf, a questão da Receita, a nomeação do Aras para a chefia do Ministério Público, a demissão do Moro, agora a nomeação do Kassio. Eu acho que esse é o grande legado que ele pode deixar para o Brasil que é o desmonte desse sistema que causou muitas vítimas nos últimos anos e tentou substituir a política nacional e graças a Deus não conseguiu”.

Histórico polêmico

Formado em direito pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Renan Calheiros foi eleito deputado federal em 1982 pelo PMDB. Em 1994, assumiu o primeiro mandato como senador.

Em 1998, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), foi escolhido para comandar o Ministério da Justiça, cargo que ocupou até 1999.

Reeleito senador em 2002, Renan Calheiros e o PMDB decidiram apoiar o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Em 2005 foi eleito presidente do Senado e do Congresso Nacional pela primeira vez e reeleito em 2007.

Deixou o cargo no mesmo ano, acuado por processos que poderiam custar seu mandato. Ele era investigado por suposto uso de notas fiscais frias para justificar, em 2007, que tinha renda para pagar a pensão da filha com a jornalista Mônica Velloso.

O peemedebista apresentou as notas, referentes a suposta venda de bois, para se defender da suspeita de que a pensão era paga por um lobista de uma empreiteira. Absolvido pelo plenário, Renan continuou como senador e se manteve como líder da bancada do PMDB no Senado.

O mesmo escândalo que derrubou Renan Calheiros em 2007 voltou aos jornais em dezembro de 2016, quando Renan se tornou réu na primeira ação contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de peculato, que é o desvio de recursos públicos.

Em 2017, Renan foi denunciado por suspeita de receber, entre 2008 e 2010, cerca de R$ 1,8 milhão por meio de diretórios do MDB e PSDB em Aracaju, Alagoas e Tocantins. Segundo a Procuradoria, em troca de receber valores da NM Engenharia, Renan mantinha no cargo de presidente da Transpetro Sérgio Machado.

A denúncia se baseia na delação de Sérgio Machado e em elementos coletados a partir das declarações dele, segundo o relator Fachin.