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Quem lava sujeira da Lava Jato? Investigação como crime contra a democracia

O site Intercept Brasil deu início neste domingo (9) à publicação de uma série de reportagens que revelam a verdadeira natureza do Lava Jato. O Poder Judiciário — e há de ser, em última instância, o STF — terá de fazer a escolha entre o triunfo da lei e o do arbítrio. Não se trata apenas de anular os processos que dizem respeito a Lula.

Chegou a hora de desmontar um aparelho que resolveu atuar como estado paralelo. E cumpre, pois, investigar se, tomando-se o Estado de Direito como referência, não estamos diante de um funcionamento próprio a uma organização criminosa.

Não há como a Lava Jato limpar o Brasil porque sua água está contaminada, e o que nasce no solo por ela regado está envenenado.

Desde os primeiros meses da operação, apontei seu desprezo pelo Estado de Direito; sua parceria indevida com setores da imprensa no vazamento seletivo de informações; a atuação com claro viés político de procuradores e do então juiz Sérgio Moro; a vocação para o espetáculo; a determinação de demonizar a política; a constituição do que me parecia, de maneira inequívoca, um projeto de poder, consubstanciado no que apelidei de “Papol” — Partido da Polícia —, integrado por membros do MPF, da Polícia Federal e do Judiciário.

E, como não é segredo para ninguém, afirmei mais de uma vez que lava-jatismo estava na raiz da ascensão de Jair Bolsonaro como candidato viável. Eis aí o ex-juiz como ministro da Justiça daquele que não precisou concorrer com Lula porque o petista estava preso, já condenado em segunda instância.

A publicação deste domingo está dividida em quatro partes: uma introdução, na forma de editorial, e três reportagens. Já são devastadoras. E muito mais, tudo indica, está por vir. O site afirma ter recebido “mensagens privadas, gravações em áudio, vídeos, fotos, documentos judiciais e outros itens, enviados por uma fonte anônima”, que revelam agressões organizadas e sistemáticas ao devido processo legal perpetradas pelo comando da Lava Jato — Deltan Dallagnol em particular — e pelo então juiz Sérgio Moro.

Há o registro de dois anos de conversa: entre 2015 e 2017. Segundo o site, só o grupo de bate-papo intitulado “FT MPF Curitiba” soma conteúdo para um livro de 1.700 páginas.

Dado o desassombro que se percebe nas reportagens iniciais, é de se supor que vem coisa da pesada por aí.

A análise é da coluna de Reinaldo Azevêdo, do portal UOL.

Da redação

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