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Duas cenas com câmera aberta e sem cortes ilustram o clipe político dessa segunda feira de chumbo, onde as primeiras narrativas apontam com exatidão escaramuças pesadas entre governistas que racham em duas bandas.

A primeira cena quem me descreve é uma fonte em que confio e tem trânsito livre na Granja Santana. Duas azeitonas, um palito e uma garrafa, mas apenas uma taça de vinho quente compôs o set onde um dos capítulos finais da novela A Próxima Vítima acontece.

Cássio chega à Granja e Ricardo demora de propósito para autorizar sua entrada. O senador acende um cigarro, pisca os olhos dezenas de vezes até o segurança liberar. Lá dentro, Pâmela bota no bolso do marido dois dentes de alho e lhe entrega um copo com água e um comprimido de Lexotan, que ele rejeita.

A alegria já não é mais a mesma, os pedidos para que libere isso e aquilo já não priorizam a agenda do senador Cássio, pois veio comunicar sua decisão de se candidatar ao governo. Usa Aécio, a família e os amigos como desculpa para um planejamento estratégico feito desde o dia em que decidiu apoiar Ricardo e evitar que o PMDB elegesse Maranhão e fizesse uma cabeça de ponte para Veneziano sucedê-lo.

A conversa acaba, as duas azeitonas estão intactas, o palito idem, mas quando RC põe vinho em sua taça ela cai. Prenúncio ruim.

Na segunda cena vamos retroagir três ou quatro dias antes dessa conversa entre Ricardo e Cássio. O set agora foi montado em Brasília e envolve, além do próprio governador, o ministro Aguinaldo Ribeiro, o melé que joga lá e lou.

O governador pede para Aguinaldo manter o bloqueio que evita o consenso do PT com Veneziano e dificulta a nomeação de Vital para um ministério. Uma tábua de frios, uma garrafa de vinho francês e duas taças de vinho se integram a cena e, ao final, sorrisos, tapinhas nas costas e mais uma missão para o ministro cumprir. Tim tim.

A política paraibana vive um momento de jogadas de mestre no tabuleiro de xadrez e a hora das máscaras caírem e todos ficarem sabendo que quem era situação agora quer ser governo e quem era oposição nunca deixou de ser governo tá chegando.