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Mais uma vacina contra a covid-19 será testada no Distrito Federal. A Ad26.COV2.S, da farmacêutica Johnson & Johnson, começou a receber, nesta segunda-feira (21/9), inscrições de interessados no voluntariado da pesquisa em humanos. Ao todo, 800 moradores da capital e do Entorno devem ser vacinados com o produto, produzido pelo laboratório Janssen e coordenado pelo L2iP Instituto de Pesquisas Clínicas. Os testes devem começar em 1º de outubro.

Diferente do outro teste semelhante em andamento no DF, agora qualquer morador acima de 18 anos pode se candidatar para receber uma dose da imunização estudada. Eles não precisam ser profissionais da saúde. Para isso, é necessário se inscrever no site do instituto, como explicou Eduardo Freire Vasconcellos, diretor do L2iP. “Neste estudo, teremos 800 pacientes voluntários, que serão divididos em dois grupos, de 18 a 59 anos e acima de 60. Eles serão colocados em mais dois subgrupos, de pessoas saudáveis e portadores de doenças crônicas, desde que compensadas”, detalha.

A ideia é testar a eficácia da imunização em pessoas saudáveis e com doenças pré-existentes, com uma dose única. Após a vacinação, os voluntários vão passar por avaliações diárias e exames periódicos. “Depois de 28 dias da vacinação, vamos realizar um novo teste sorológico para verificar se o paciente criou IgG (anticorpos produzidos pelo organismo). O mesmo será repetido em 56 dias e, após, mais 28 dias para frente”, explica o doutor Eduardo.

Os testes clínicos das fases 1 e 2 foram realizados com sucesso em cerca de mil pessoas nos Estados Unidos e na Bélgica. O país americano começa a fase 3 nesta semana, um pouco antes da previsão de estudos no Brasil, avaliada para acontecer na próxima semana. “Ao final do processo, vamos ver nos resultados se há benefícios reais. Isso deve ser apresentado no começo do ano que vem”, diz Eduardo.

A tecnologia utilizada na vacina da Johnson & Johnson é definida pelo Instituto de Pesquisa L2iP como bastante inovador e promissor. Nesse tipo de metodologia, os médicos aplicam o conceito de vetor recombinante, em que se utiliza outro vírus, neste caso o adenovírus tipo 26, e se faz uma alteração na estrutura para codificar a proteína S do vírus Sars-CoV-2, do novo coronavírus.

“É bastante inovador e promissor. É a primeira vez que estamos tentando cessar uma pandemia com esses estudos sendo realizados simultaneamente. Mas, esse tipo de vacina já é testado em humanos desde 2008, em casos de outras patologias. Já foram feitos 35 estudos populacionais grandes dessa vacina, não sendo para covid, e 75 mil pessoas foram vacinadas no continente africano com esse conceito”, pontua o diretor do Instituto.

Correio Braziliense