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O presidente nacional do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE), disse em entrevista ao Congresso em Foco que o partido não se reaproximará do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).“O PSL não está na base do governo e nem fará, continuaremos preservando nossa independência como sempre”, declarou. Bolsonaro está rompido com o PSL, legenda pela qual se elegeu, desde novembro de 2019. Reportagem do jornal O Globo afirma que o presidente Jair Bolsonaro negocia cargos com o partido em troca de apoio na Câmara.

De acordo com Bivar, a legenda segue apoiando as reformas econômicas e não exige ocupação de cargos em troca de votos. “O governo pode se preocupar com todos os partidos em relação às pautas liberais, menos com o PSL, que nós fazemos isso por convicção”. Bivar afirmou que não participou de negociação de cargos no governo federal, mas que não condena os partidos que fazem isso.

“Isso não chega à executiva nacional porque ela tem por princípio a gente não aceitar nenhum cargo, não é condenação, a gente não condena quem aceita cargo, mas o PSL não quer macular seus votos para que o público imagine que a gente vá votar em função de cargos”. Ele confirmou que conversou recentemente por telefone com Bolsonaro, mas negou aproximação. “Foi uma ligação de cumprimentos, nada mais”.

O líder do PSL na Câmara, deputado Felipe Francischini (PR), disse ao Congresso em Foco que há uma retomada no diálogo com o governo, mas negou que estejam negociando cargos na administração federal. “Retomada do diálogo sim. Para debater projetos, pautas. Quanto a nomeações no governo, não. Não debatemos isso nem internamente, e nem com o governo. O partido seguirá independente. Independência pressupõe diálogo com todas as esferas. Participaremos ativamente dos grandes debates para retomada da economia”.

Embora Bivar negue estar de novo apoiando Bolsonaro, a retomada de diálogo com o governo já produz efeitos práticos. O senador Major Olímpio (PSL-SP), líder da sigla no Senado e rompido com o chefe do Executivo, anunciou que vai sair do partido. O deputado Sargento Gurgel, presidente do PSL no Rio de Janeiro, disse que não há uma divisão no partido. “Não vejo um racha no PSL, o que vejo são alguns irmãos de luta e correligionários que foram duramente atacados e podem ter alguma resistência”.

De acordo com ele, o que há é uma reaproximação pessoal entre Bivar e Bolsonaro. “A maioria dos parlamentares do PSL nunca foi oposição ao presidente, ocorreu apenas uma escolha em permanecer no partido que nós construímos ou deixá-lo. Então, realinhamento só poderia se falar no caso do presidente Bivar com o presidente Bolsonaro, ainda assim, talvez no campo pessoal, pois na política, o PSL é a favor do Brasil e isso nos norteia”.

Luciano Caldas Bivar fundou o PSL em 1998. Foi candidato a presidente pela legenda em 2006. Já comandou o Sport Club do Recife. Atualmente exerce o cargo de 2º-vice-presidente da Câmara dos Deputados.