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EXCLUSIVO – Essa foto mostra as máquinas estacionadas desde o início daquela tarde de 22 de fevereiro último nos arredores do Aeroclube, dia inesquecível, pois foi a data da destruição da pista e ela prova que o prefeito Luciano Agra premeditou tudo, que agiu de caso pensado, que poderia ter dialogado e dado tempo para a retirada das aeronaves, mas foi truculento e acabou tendo o seu ato classificado como “vandalismo” pela mídia nacional.

Queria destruir, desmoralizar, impactar. Nos próximos dias a pista do Aeroclube será reconstruída pelo Exército, uma obra que se estenderá por até 90 dias e custará por baixo dois milhões de reais. 

Muito já se falou, muito já se especulou, mas só os dois principais personagens podem apresentar versões oficiais sobre os bastidores da disputa pela área do Aeroclube.

A versão de Agra ouvimos através das entrevistas que concedeu, a de Rômulo trago agora rebatendo cada ponto que Agra se agarrou para montar sua defesa no episódio. 

Com a palavra, Rômulo Carvalho: 

“Primeiramente gostaria de lembrar que o prefeito afirmou que foi ele que ordenou a destruição da pista e o fez no Programa Correio Debate.

Afirmou também que foi feito a noite porque era mais fácil para as maquinas trafegarem a noite, devido ao trânsito – MENTIRA: As maquinas já se encontravam desde as 15h30min na lateral do Aeroclube, inclusive agentes do STRANS (conforme foto), guarda municipal idem, Sttrans idem.

A Polícia Militar 4ª CIA e  batalhão de choque também já estavam posicionados durante a tarde em todo o entorno do Aeroclube.

O prefeito disse na plenária do Bessa que havia oferecido quatro áreas para o Aeroclube. 

É Mentira: após a primeira reunião, onde a Prefeitura não ofereceu área alguma, apenas ceder 25% do que é nosso e o Aeroclube indicou duas possibilidades em áreas desabitadas.

A primeira próxima ao centro de convenções do Governo do Estado, pois seria uma ótima área perto dos hotéis e centro de convenções (a área inicia-se próximo ao presídio de segurança máxima até a lateral do Centro de Convenções). Esta foi prontamente descartada pela Secretaria de Planejamento.

A segunda área na entrada da Praia do Sol, a mais de 20 km de onde se encontra o Aeroclube, área livre que na sua lateral existe um rio (área verde) onde não se poderia construir nada, e paralelo é a pista de acesso a Praia do Sol (foto demonstra em preto a área correta), a área em vermelho seria a área que a prefeitura pensou que seria possível, mas a elevação do terreno e posição eram desfavoráveis.

A área em preto que propusemos, são três fazendas desabitadas. Essa área foi descartada pelo prefeito Luciano Agra, segundo palavras do procurador. Uma semana depois da nossa proposta de deslocamento para a Praia do Sol, o procurador me chama para uma reunião de urgência, relatando que havia encontrado uma ótima área, excelente para o Aeroclube .

Fui à sede da procuradoria e para surpresa a área seria vizinho ao aterro sanitário, saída pra Recife, Mussuré, sem  acesso definido, cercado de urubus e na rota da pista o aeroporto Castro Pinto, local impróprio para um aeródromo.

Diante da impossibilidade de negociação, o Aeroclube recorreu a Justiça Federal para tornar sem efeito o decreto de desapropriação.

O prefeito afirmou que tivemos oito dias para tirar as aeronaves: mentira, quando soubemos da liminar, no final da tarde da terça-feira, 22, e quando da chegada do senhor Geilson Salomão ao Aeroclube, os proprietários que se encontravam solicitaram que fosse permitida a retirada das aeronaves pela manha cedo, pois já não havia mais tempo devido ao horário, pois a pista do aeroclube só funciona durante o dia.

O senhor Geilson Salomão tranquilizou a todos, falando que não iriam destruir nada. Lêdo engano.

Gostaríamos neste assunto relatar que quando da entrada do processo de emissão de posse da justiça comum pela prefeitura, estivemos na manhã do dia 18/02, uma sexta-feira, eu e Marcelo Weick, com João Bosco, juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública, onde relatamos e demonstramos através da petição inicial e protocolo, que já havia processo correndo na Justiça Federal e mostramos também a nota técnica da ANAC, onde afirmava que o decreto era inconstitucional e que só poderia ser desapropriado pela União. 

Finalizando, a Justiça Federal impediu a Prefeitura de realizar ato administrativo, penso eu que fazer plenária – com comparecimento de muitos comissionados, que foram convocados, e moradores dos bairros da periferia, que foram transportados em ônibus e vans, para mostrar projeto no terreno de terceiros, o Aeroclube, foi um ato administrativo contrário a decisão da Justiça Federal.

Vender um peixe que ainda não pescou é querer brincar com a inteligência das pessoas.

Parte da decisão:

“Ante o exposto, defiro em parte o pedido de tutela antecipada requerida para, por ora, apenas impedir ou sobrestar qualquer ato administrativo e/ou judicial…”

O projeto do parque nunca havia sido demonstrado a ninguém, aliás, como é de praxe nos projetos da edilidade.

Esperamos que a verdade venha prevalecer, contra fotos e fatos não há argumentos. 

Gostaria, por fim, esclarecer que a direção do Aeroclube não está irredutível, apenas nunca fomos chamados para discutir políticas públicas para o bairro, nem tão pouco do interesse da Prefeitura em utilizar nosso terreno.

O plano diretor de 2008, de que tanto falam nas entrevistas, foi alterado por eles mesmos.

Mudar as regras do jogo para depois querer se beneficiar delas é no mínimo imoral.

Rômulo Carvalho”

Abaixo, imagem aérea da área sugerida na Praia do Sol e o estudo mostrando inviabilidade. Ela foi remetida ao procurador da Prefeitura para justificar impossibilidade.