Fale Conosco

Após depoimentos, delegado decidiu indiciar cirurgião que faltou a plantão. Atingida por bala perdida, criança, que morreu, esperou 8h por cirurgia.

G1 

O delegado Luiz Archimedes, titular da 23ª DP (Méier), informou nesta terça-feira (8) que vai indiciar o neurocirurgião Adão Orlando Crespo Gonçalves por omissão de socorro da menina Adrielly dos Santos Vieira, de 10 anos. Atingida por uma bala perdida na noite de Natal, a criança esperou por 8h uma cirurgia no Hospital Municipal Salgada Filho, no Méier, na Zona Norte do Rio, porque o médico faltou ao plantão. Adrielly morreu na sexta-feira (4), no Souza Aguiar, no Centro, para onde havia sido transferida. Até as 18h, o médico ainda não havia sido informado oficialmente sobre o indiciamento, de acordo com a assessoria de imprensa dele.

A pena para omissão de socorro, prevista no Código Penal (art. 135), é de um a seis meses de detenção e pode ser triplicada em caso de morte.

“Vários motivos fizeram a polícia civil indiciar o médico Adão Orlando Crespo. Principalmente em razão do depoimento do doutor Ênio e pelo simples fato de que ele trabalhava na escala com o doutor Adão há dois anos e não o conhecia. Ele lançava as faltas no livro, mas não cabia a ele abonar ou confirmar a falta”, diz o delegado.

A decisão do delegado de indiciar Adão foi tomada após ele ouvir Ênio Lopes, chefe do plantão na noite da chegada de Adrielly. O médico afirmou que era da mesma escala que Adão havia dois anos, mas nunca tinha visto o neurocirurgião. Antes do depoimento, Archimedes havia dito que não indiciaria Adão.

Na segunda-feira, após ouvir o neurocirurgião que operou Adrielly após a longa espera, o delegado explicou que a morte da menina poderia não ter sido evitada mesmo que ela tivesse sido operada logo após chegar ao hospital.

Adão diz que avisou que faltaria

 Em depoimento à polícia, Adão Crespo disse que vinha faltando aos plantões um mês antes do Natal por discordar da forma como a escala é feita. E contou que telefonou ao chefe avisando que faltaria. Ele comunicou oficialmente sua demissão à chefia no dia 31 de dezembro. Em entrevista ao G1reclamou ter sido “transformado em alvo” do caso.

José Renato Paixão confirmou à polícia que Adão havia avisado que faltaria, mas disse que teria ordenado que ele não faltasse ao plantão porque não haveria substituto.

Baleada no Natal

 O caso ocorreu na Rua Amália, perto dos morros do Urubu e do Urubuzinho, em Piedade. Ela havia acabado de ganhar seu presente de Natal quando foi atingida por uma bala perdida, segundo o pai Marco Antônio. Eles estavam na rua, no momento em que traficantes dos morros do Urubu e Urubuzinho começaram a soltar fogos e dar tiros para o alto, ainda de acordo com o pai.