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O percentual de reajuste de planos de saúde individuais só deve ser divulgado em maio, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas fontes do mercado apostam num percentual semelhante ao do ano passado, em torno de 13%. O setor teme a reação dos consumidores diante a perspectiva de inflação para este ano de 3,48%, na última estimativa do Boletim Focus, do Banco Central.

— Teremos a inflação mais baixa dos últimos 20 anos, em torno dos 3%, e um reajuste na casa de dois dígitos. A nossa luta é informar melhor o nosso consumidor para poder ser compreendido — disse João Alceu Amoroso Lima, presidente da Comissão de Comunicação da FenaSaúde, na abertura do 2º Encontro de Comunicação da Saúde Suplementar, cujo o tema foi reajuste de planos de saúde.

Inflação médica

A diferença entre a inflação geral e variação de custo médico-hospitalar não é mais uma das jabuticabas brasileiras. Segundo levantamento apresentado pelo Instituto Estudos de Saúde Suplementar (IESS), em 18 países, essa é uma questão que aflige, inclusive os mais desenvolvidos como Reino Unido e Canadá, em que a variação é, em média, respectivamente 2,9 e 4,7 vezes a inflação geral.

Desde o último aumento, no ano passado, a ANS trabalhava numa nova fórmula de cálculo para o reajuste nos planos inviduais. A meta era dar mais transparência, uma crítica frequente dos órgãos de defesa do consumidor. O novo modelo foi apresentado em março a diretoria colegiada e garantiria um reajuste menor este ano, além dar clareza a fórmula de cálculo. No entanto, foi rejeitado por dois diretores e não poderá ser usado para o cálculo deste ano. Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas na definição de tetos de reajuste para ANS e determinou que a agência reguladora faça mudanças para melhorar o controle dos aumentos abusivos.

Fontes do setor, dizem ainda, que as empresas temem, que em um ano eleitoral, parta do legislativo algum nova regulação que possa vincular o reajuste dos planos de saúde a um índice geral de preços como o IPCA.

— Isso poderia comprometer a sustentabilidade do setor. Historicamente os custos médicos hospitalares são mais altos do que a inflação média. Mas já há casos de empresas que conseguiram fazer um reajuste com percentual correspondente a metade do teto estipulado pela ANS no ano passado, com mudança de gestão e sem prejudiciar seu balanço — afirma um executivo do setor.

Modelo assistencial

A mudança de modelo assistencial é vista como a única saída para reduzir a diferença entre os custos médicos e hospitalares e a inflação geral da economia (medida pelo IPCA). Para Reinaldo Camargo Scheibe, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), essa mudança demandará um esforço conjunto dos ministérios da Saúde, Fazenda, Planejamento e Educação, das operadoras, da agência reguladora e dos prestadores de serviço.

— Falta uma política de gestão de saúde no Brasil. E não se pode pensar em separado saúde suplementar e pública, até porque precisamos pensar e gerir de melhor maneira os recursos disponíveis. Temos que pensar desde a formação nas universidades de medicina para avançar num modelo de assistência que privilegie a qualidade e o resultado para o paciente e não promova excesso de procedimentos. Não faz sentido que sejamos o país que mais realiza tomografias — exemplifica Scheibe. Com informações do Extra.com.