Fale Conosco

Se o Governo Ricardo Coutinho não agrada os vivos o que pensar dos mortos? E não estou falando daquela lista fajuta, mas de uma legião de bons servidores que não suporta mais ver o sucateamento da máquina pública.

Só que a Nova Paraíba parece ter herdado certos vícios de governos passados e meia duzia de espertinhos vivíssimos levam a vida no bico. Mais vivos do que outros que passam o dia a cuidar dos mortos, eles usam do tráfico de influência para viver na moleza enquanto outros dão duro para justificar o que ganham.

Piadinhas macabras a parte, leiam com atenção este e-mail que recebo de um funcionário do IML, Luís Pires, que é perito e faz desse espaço público um instrumento de pressão para ver se as autoridades competentes se sensibilizam com a situação exposta. 

“VERGONHA ACONTECENDO NO I.M.L. DE JOÃO PESSOA 

Neste momento, o Governo de Ricardo Coutinho está de luto: uma VERGONHA acontece no Instituto Médico-Legal de João Pessoa, bem aos típicos moldes do que sempre aconteceu em outros Governos do passado. 

A “Nova Paraíba”, através do IML de João Pessoa, dá sinais de ser totalmente contaminada com velhas práticas do clientelismo político paraibano e do famosíssimo tráfico de influências. Alguns poucos Servidores HUMILHAM os outros muitos com estilos de trabalho muito privilegiados, com a aplicação de alguma desculpa fraudulenta, mas com o conhecimento comum (TODO MUNDO SABE A VERDADE) de que foi, na verdade, politicagem e influência. 

Existe um perito médico-legal, Dr. Ivany Júnior, que é filho das pessoas chamadas “influentes” (não é só mera coincidência com o nome “tráfico de influências”…). Sua mãe e seu pai são médicos e empresários, donos de um hospital, e seu pai já está se aposentando do Serviço Público Estadual como perito médico-legal sem NUNCA TER FEITO UM PLANTÃO NEM PARTICIPADO DE UMA NECROPSIA NA VIDA DELE. 

Há muitos anos, com um pouquinho de “influência” (esta palavra de novo!!! Que coisa!!!), “se livrou” deste negócio sujo de “gente morta”, sendo CEDIDO, com a influência de políticos de outrora, para um órgão distante desta “sujeira”, com um trabalho bem mais “light”, onde ficou até se aposentar. 

Em 2011, seu filho médico está na MESMA SITUAÇÃO em que ele esteve no passado, tendo o cargo de perito médico-legal no Governo do Estado da Paraíba. Dr. Júnior tendo que participar de necropsias, com “gente morta”, às vezes em putrefação, e ainda pior, dando plantões, tanto em noites, como em feriados e até em domingos, o que eles, cidadãos abastados e influentes (eita palavrinha teimosa!), não deveriam “sofrer”. Talvez, Dr. Ivany Pai tenha falado assim: “Não se preocupe, filhão, vamos dar um jeito nisto, mesmo neste Governo de Ricardo Coutinho”.

De repente: PIR-LIM-PIM-PIM!!!!!! AÍ ESTÁ! O médico já saiu da sala de necropsia, só trabalha por três manhãs, ficando em uma sala com ar-condicionado, sem gente morta nem podre, e ainda declamando que “só faz alguns tipos de exames” (os “DPVAT”). 

As outras duas manhãs do propalado trabalho são só para inglês ver, com possíveis “perícias externas”, que aparecem SÓ DE VEZ EM QUANDO e só duram uma hora e meia no máximo cada uma, ficando o resto do período (lembre-se: SE APARECEREM PERÍCIAS ASSIM) livre para fazer o que bem entende. Por exemplo, fazer cirurgias NO MESMO HORÁRIO DO TRABALHO PÚBLICO. Também NUNCA trabalha no domingo, nem em nenhuma noite. Aliás, se for feriado, também não tem trabalho.

Contando tudo, vamos colocar que, na quinta e sexta-feira, apareça uma perícia externa em cada dia, daí fica, em horas de trabalho: 4+4+4 (cada dia 4 horas, de 8 h ao meio-dia), depois a quinta e sexta-feira com 1 hora e meia cada (3 horas). Somando tudo: 4+4+4+3= 15 horas de trabalho!!!! Gostou? Dá METADE do que trabalham os “não-influentes”, sem falar que estes coitados trabalham à noite, dormindo fora de casa, além de domingos, sempre, mesmo que seja feriado. 

Os outros médicos são os “não-influentes”. Eles que abram mortos, podres, trabalhem 24 horas por semana, em plantão (seja feriado ou não), além de mais 6 horas semanais (somando 30), completadas com um domingo FIXO mensal. Eles que durmam lá no IML, venham ao trabalho em domingos, ou feriados, Ano Novo, o que for, além de fazer 30 horas semanais. Que humilhação…. 

Pessoas “influentes” (esta palavrinha está me pertubando) não passam por isso. É HISTÓRICO! Desde os tempos de Engenho, os SENHORES não faziam quase nada, arrumavam alguém que fizesse por eles.

E vocês não perdem por esperar: talvez o plano vá mais além! Em breve, claro que darão um jeito de transformar estas três primeiras manhãs apenas em perícias externas, fechando a semana assim, tipo “o médico das perícias externas”. 

O médico fará, por exemplo, três perícias externas na semana (estou chutando!), e estará feito o vínculo dele de 30 horas semanais. Três perícias é igual a 4 horas e meia de trabalho ( 4 vezes 1,5 hora). A-há! Xeque-mate! Até 31/12/2010, existiu um médico assim, Dr. VÁLKER, protegido por um “guarda-chuva” influente que fez ele ficar assim por anos, um verdadeiro ESCÁRNIO frente aos outros médicos! Esperou-se o fim deste tipo de baixaria neste Governo. Houve o fim, mas, em menos de 5 meses de nova gestão do IPC ( Instituto de Polícia Científica ) e IML, a anomalia já voltou a ocorrer. 

Você está se perguntando como é que, então, em um Governo tão prometido sério, afinal o Governador é um homem muito sério (isto NÃO é uma ironia, é verdade mesmo), algo assim aconteceu? Qual é a grande sacada? Vamos examinar de perto.

 O plano foi lançado assim: os protagonistas do fato combinaram de “plantar” que o Dr. Júnior tem uma doença “X” que o permite fazer qualquer trabalho na vida, EXCETO SALA DE NECROPSIA. Tipo assim: ele até pode ser Médico Legista, mas sem fazer necropsia. (Aliás, ele já é cirurgião; imagina aí a diferença para necropsia, lembrando que o médico NÃO ABRE O CORPO, e sim o necrotomista). Imaginem esta doença segmentar: só não pode a sala de necropsia!!!! Daí vamos em busca de “atestados médicos” com esta condição. Isso mesmo, dizen do assim: “… não poderá entrar em sala de necropsia…”. Imaginem a “dificuldade” (agora sim, é ironia minha) deste pessoal conseguir atestados assim de vários médicos… Donos de hospital, pai, mãe e filho médicos… 

O problema é que NENHUM ATESTADO DESSES VAI SER RATIFICADO PELA JUNTA MÉDICA OFICIAL DO ESTADO, portanto são todos nulos!!!! Esta condição médica não existe! E ocorreu isto mesmo: A JUNTA MÉDICA DO ESTADO NÃO RATIFICOU NADA DISSO!!!!!! Os Gestores locais do IML e IPC disseram que sim, mas não aconteceu isso não. Não existe este documento da Junta Médica, o que existe são múltiplos atestados de médicos privados, sem poder oficial do Governo(Junta). Aliás, uma doença assim significaria EXONERAÇÃO IMEDIATA, porque configuraria INAPTIDÃO PARA O CARGO ( Regime Jurídico Único e Estatuto do Servidor do Estado da Paraíba). Ser legista envolve fazer necropsia; quem não faz de modo confesso deve ser EXONERADO de ofício pela Administração Pública. 

A mãe de Dr. Júnior ( Dra. Suzete) também tem muita amizade com um funcionário chamado LÚCIO. Lúcio tem muita proximidade com o chefe do IML. Ela conversou com ele para conversar com o chefe do IML sobre o filho que não pretendia mais fazer “trabalho sujo”. Pois é, a influência começou lá embaixo e vai subindo, hoje em dia. Em resumo, a coisa foi crescendo de modo bizarro, e TCHAM-RAN! Aí está! A anomalia de privilégio já está instalada. 

As perguntas agora: 

1- Por que os Gestores do IML-IPC ( Dr. Fábio Gomes, Dra. Flávio Rodrigo e Dr. Humberto Costa) ratificaram este tipo de privilégio? Não existe laudo médico oficial nem nada; foi um privilégio instalado PELA GESTÃO!; 

2- Vamos brincar de ADVOGADO-DO-DIABO: e se o laudo médico DA JUNTA MESMO existisse? Por que, ainda assim, o médico foi privilegiado assim, só trabalhando de verdade 15 horas na semana ou menos, sem feriado, domingo, ou noite de plantão? Ele poderia ficar só fora da sala de necropsia, mas fazer tudo que os outros “não-influentes” fazem, que é ficar longe de suas famílias à noite, domingos e feriados. Nestes momentos, TAMBÉM existe exames em vivos, sem ser necropsia, o que é um trabalho a ser feito mesmo por um médico com doenças “limitantes” do trabalho (aliás, que, se assim, deveria ser exonera do por inaptidão); 

3- O Governador Ricardo Coutinho já sabe disso? A Casa Civil deve ser informada, além da Imprensa também. O objetivo é ver se ele concorda com este tipo de privilégio. Lembrem-se: MESMO SE A BIZARRA CONDIÇÃO MÉDICA EXISTA, não por isso deveria ter sido instalado um privilégio desta monta, bem aos moldes das “antigas repúblicas” paraibanas. O Governador não acha isto uma HUMILHAÇÃO aos outros médicos? A Gestão do IML-IPC atuou corretamente? 

A instalação deste privilégio é uma PREMIAÇÃO A QUEM NÃO QUER TRABALHAR e uma HUMILHAÇÃO a quem trabalha duro para honrar o salário que ganha do Povo da Paraíba.

O Governador Ricardo é um homem muito sério, DUVIDO que ele concorde com este tipo de coisa… 

Vou aproveitar e já enviar este texto ao Gabinete do Secretário de Segurança, à Casa Civil do Estado da Paraíba, ao Gabinete do Governador Ricardo Coutinho e a três veículos da Imprensa (blog do Dércio, Jornal Correio da Paraíba e TV Cabo Branco), para uma análise destas instâncias do fato. Resta aos Peritos deste órgão (Médicos, Odontos, Criminais, Químicos), se tiverem interesse, cobrar do Governo a resposta: NESTE GOVERNO ATUAL, HÁ ESPAÇO PARA ESTE TIPO DE COISA? 

Assina: Luís Pires – Perito há mais de 10 anos (e conhecedor político)” 

É o desabafo justo de um profissional e merece uma resposta imediata das autoridades.

Todo dia recebo centenas de e-mails com servidores indignados e como cidadão vou me indignando junto. 

Deixo para que os leitores tirem as conclusões.