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O que você faria se tivesse um controle remoto e pudesse retroceder ou avançar 30 anos no tempo? Na base do Déjà vu esta semana me reconectei com gente do finalzinho dos anos 70 e comecinho dos anos 80.

Na festa de ressurreição do PT que quer candidatura própria tive o prazer de conversar com Eliezer Gomes, sindicalista, decente, e o primeiro presidente estadual do PT naquela época telúrica.

Trocamos impressões sobre o futuro com retórica ali por 1979, mas com olhos voltados para o que a decisão de lançar candidatura própria repercutirá lá na frente.

Eu estava com Anderson Pires, amigo que conheci no ano 2000 durante a campanha de Luís Couto a prefeito de Jampa e que em certa madrugada ciceroneou comigo Delúbio Soares caçando níquel quando achávamos que tinha vindo deixar o ouro captado em Sampa. Naquele anos fiz aquele vídeo em que Couto é esculhambado por Ricardo e hoje o tempo passou e eles se esculhambam juntos capitulando no que prometiam.

Anderson, aliás, foi atropelado ontem na beira mar de Cabo Branco quando pedalava sua bike antes das oito da matina e que, ao levar um chega pra lá de uma candidata a cometer crime doloso, descobriu com hematomas que o STTRANS e a CPTRAN abandonaram quem caminha ou pedala na praia à própria sorte.

O cara pedala quase duzentos quilômetros pelo interior da França e não sofre um arranhão e quando volta ao Brasil descobre que se tivesse um controle remoto voltaria ao passado e contaria a todo mundo que se Ricardo Coutinho virar político vai virar as costas para a cidadania.

Aperto agora a tecla de passagem rápida e lá pelo comecinho dos anos 80 caio no meio de uma reunião do movimento secundarista. Lá estavam Beth, Núbia, Iremar, Vinagre, Débora, Mosquito e Palmira. Não estavam, mas estavam em lembranças Augustinho, Marcelo, Marcelino e Percival. 

Conspirávamos todo tempo achando que se não déssemos um empurrãozinho a ditadura nunca cairia. Ela caiu e junto com ela o que nos unia feito breu com cola. Anos depois encontrei aquele hippie Iverson Carneiro na Brizolândia querendo me convencer que o sonho não acabou. Virou pesadelo.

Fernando Gabeira já tinha voltado do exílio e passeado de tanga pelo Posto 9, lá em Ipanema. Descolou uma namora burrinha e foi narrar seu “eu voltei” no livro “Entradas e Bandeiras”, como se fosse um Bandeirante moderno descobrindo e pontuando novas picadas Brasil adentro.

Eu que prefiro o outro livro, “O que é isso companheiro?”, e que anos depois andei por Santa Tereza com meus filhos para mostrar a casa onde o embaixador americano ficou no cativeiro, forço a mente para entender como é que o tempo passa tão rápido, fast, 30 anos em 30 segundos. Vapt-vupt!

Voltando para estes tempos difíceis, onde a liberdade de expressão voltou a ser cerceada e coisas do arco da velha voltaram a acontecer como se estivéssemos nos anos de chumbo, tive o imenso prazer de me reencontrar esta semana com o passado e, como João Cabral de Melo Neto, dizer que só tenho saudades do futuro, pois se não pudemos viver o intervalo entre aquele período e este, tenham certeza de que não foi à toa que o universo inteiro conspirou para mais uma vez nos encontrarmos.

É aquela de “Deus escrever certo por linhas tortas”. Se eu tivesse um controle remoto desse na mão, jogava fora, pois o charme da vida é o inesperado.

“…Tempo, tempo, tempo és um dos deuses mais lindos…”