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Apenas 58,6% dos alunos da Paraíba concluíram o ensino fundamental até completarem 16 anos em 2013. As informações, divulgadas ontem, são de uma análise feita pela Organização Não Governamental (ONG) Todos Pela Educação, que levou em conta os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2007 a 2013, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a meta de 74,7%, estipulada pela ONG, não foi alcançada pelo Estado no último ano.

Conforme o levantamento, o ritmo da Paraíba começou a cair a partir de 2012, uma vez que de 2007 a 2011 os estudantes haviam conseguido atingir as metas propostas. O ano de 2009 foi o que os adolescentes obtiveram o melhor resultado, superando a meta em 10,7%. Já o desempenho registrado pelo Estado em 2012 foi de 54,9%, destoando do índice mínimo de 65,2% estipulado pela ONG.

Na contramão desse cenário preocupante, observou-se que entre os alunos com até 19 anos a marca determinada pelo movimento Todos Pela Educação foi atingida em todos os anos averiguados na Paraíba. Segundo o estudo, em 2013, 48,3% dos jovens até essa faixa etária haviam terminado o ensino médio, número que contrasta positivamente com o mínimo de 48,6% estabelecido pela ONG e que está dentro do intervalo de confiança aceito.

NACIONAL
No Brasil, ambas as taxas tiveram índices abaixo do esperado. No ano passado, a conclusão do ensino fundamental foi alcançada por 71,7% dos alunos brasileiros, sendo que o esperado era de 84%.

Em relação ao ensino médio, foi constatado que somente 54,3% dos estudantes chegaram ao final da etapa em 2013, resultado que não cumpre os 63,7% sugeridos pela ONG.

O levantamento mostrou ainda que, se for considerada a raça dos alunos, a parcela de jovens negros que concluem os ensinos fundamental e médio mais tarde no país é maior que a dos jovens brancos. Os declarados brancos que concluíram o ensino fundamental aos 16 anos são 81% e os que concluíram o ensino médio aos 19 anos são 65,2%. Em relação aos negros, esses percentuais são 60% e 45%, respectivamente.

PREOCUPAÇÃO
De acordo com o gerente de conteúdo do Todos Pela Educação, Ricardo Falzetta, os dados apresentados estão aquém da expectativa da ONG e representam maiores desafios para o futuro.

“No geral, se você olhar a série histórica, vai perceber que houve um leve crescimento nas taxas, porém a inclinação da curva não é a que a gente acha adequada para atingir as metas finais de 2022 – de pelo menos 95% dos jovens até 16 anos completando o ensino fundamental e de pelo menos 90% dos jovens de até 19 anos completando o ensino médio”.

Para ele, é necessário que a atenção dos gestores esteja mais voltada para as questões estruturais das instituições de ensino e para a desigualdade social. “É preciso garantir acesso à educação a todas as crianças e adolescentes, porque se eles entram de forma tardia na escola, isso já colabora para a meta ficar mais difícil de atingir. Além disso, a qualidade da educação deve ser melhorada, com formação inicial e continuada dos professores e escolas bem equipadas”, concluiu.

JP