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O texto distribuído ontem pelo presidente Jair Bolsonaro gerou muitas leituras no meio político. Houve quem falasse em sinalização a uma possível renúncia. Mas o texto foi interpretado também por dirigentes de partidos como um sinal de que Bolsonaro acenou à radicalização para voltar a comandar a cena política. As informações são da coluna Painel, da Folha de S. Paulo.

Inicialmente de autoria desconhecida e distribuído com o título de “Texto apavorante”, o conteúdo dissemina a tese de que o “sistema” se uniu para não deixar Bolsonaro governar. De acordo com a coluna, a mensagem foi vista ainda como uma tentativa de incendiar a convocatória que circula em redes bolsonaristas para um ato em defesa dele e dos seus projetos, contra o Congresso e o Supremo, no próximo domingo, dia 26.

Segundo a Painel, um bolsonarista chega a falar em fechar o Congresso: “O povo vai se levantar em favor do presidente para dar a ele salvo-conduto para fazer o que for necessário. Nem que seja para fechar esse Congresso maldito e interditar esse STF”, diz uma mensagem de áudio. Em um outro áudio que chegou ao Planalto por meio de aliados, que seria de um caminhoneiro, incentiva aos apoiadores de Bolsonaro a mostrar força à Câmara, ao Senado e “àqueles 11 tocados de merda”.

Os aliados, por sua vez, estão abastecendo o presidente com mensagens desse tipo. Em um outro áudio atribuído a um caminhoneiro, ainda de acordo com a coluna, fala-se que “a parte podere do Congresso – Câmara e Senado – mais o STF com apoio da Rede Globo, estão se unindo para tentar derrubar o capitão. E a gente não vai deixar”.

A coluna Painel apurou junto a pessoas próximas da família Bolsonaro que os últimos gestos do Presidente são reflexos da sequência de derrotas no Congresso e a ofensiva do Ministério Público contra seu filho, Flávio Bolsonaro, que implica outros integrantes do clã.

A orientação de dirigentes partidários, segundo a publicação, é que as bancadas não reajam institucionalmente ao texto divulgado por Bolsonaro para não dar vazão à teoria conspiratória, agora alimentada pessolmente por ele.

Em editorial publicado neste sábado, o jornal Estadão classificou o texto de “ameaça à nação”.

Autoria

A autoria do texto foi identificada no final da tarde de ontem como sendo de um investidor ligado ao Partido Novo. Segundo a Revista Fórum, trata-se de Paulo Portinho, que foi candidato a vereador no Rio de Janeiro pela sigla em 2016. O texto foi divulgado no Facebook no último dia 11 com o título “Temos muito para agradecer a Bolsonaro”.

 

18 de maio de 2019, 09:02