Fale Conosco

Entendo a preocupação do Ministério Público Federal com o patrimônio da União, mas ninguém consegue imaginar Jacaré sem o Pôr do Sol e o sax de Jurandy tocando o Bolero de Ravel.

Essa bandalheira de grileiros invadindo terras públicas para ampliar suas mansões a beira mar ou erguendo empreendimentos em terrenos que não lhes pertencem tem que acabar, mas por que justamente começar por Jacaré?

Vamos demolir hoje mesmo tudo que for invasão de uma forma sincronizada.

Cargas de dinamite no Hotel Tambaú, incluindo-se aí aquela quadra de tênis terceirizada e o estacionamento.

Cargas de dinamite em todas as mansões que avançaram sobre a areia para ficar mais perto do mar ou quem sabe até privatizá-lo.

Cargas de dinamite naquele condomínio Alamoana, que invadiu o patrimônio da União e até fez do Rio Sanhuá um ancoradouro privado.

Mas, por favor, arranjem um jeito de não destruir o Pôr do Sol do Jacaré, aquele patrimônio imaterial da humanidade.

Entendo que a demolição das palafitas que se dizem bares alargará a área de contemplação, mas do jeito ilegal que tá emprega muita gente e deixa milhares em êxtase.

Acho bacana a ideia de Jurandy flutuar no rio ao pôr do sol sem termos que pagar couvert para vê-lo.

Mas, e os garçons, lavadores de pratos, cozinheiros, artesões e ambulantes que vivem do “estou indo dormir” do astro rei, o que farão?

Defendo a ordenação, mas com inteligência e certo paraibanismo, vamos encontrar uma saída.

Que tal um projeto de arquitetura completo para ordenar a paisagem? Mas isso só será bacana com transição.

Mantenham as palafitas e busquem recursos junto ao Banco do Nordeste para um novo Jacaré.

Prudência e Bolero de Ravel não fazem mal a ninguém.