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No vídeo acima, Paulo Maluf e seu neoaliado Fernando Haddad se esforçam para explicar o estreitamento de inimizades que levou o PP e o PT de São Paulo a se juntarem numa mesma coligação. Um episódio da eleição municipal de 2000 dá ideia do tamanho do desafio embutido na tentativa de justificar o impensável.

Há 12 anos, Maluf disputava a preferência do eleitor paulistano com a petista Marta Suplicy, que o qualificava de “nefasto”. O embate escorregou para o segundo turno. Na propaganda televisiva, o agora coligado do PT defendia a adoção da prisão perpétua como remédio contra a criminalidade.

Em entrevista, Lula foi à jugular: “O Maluf é que deveria estar atrás das grades e condenado à prisão perpétua por causa da roubalheira na prefeitura.” Abespinhado, o agredido acionou o agressor na Justiça Eleitoral. A petição foi ao arquivo. Inconformado, Maluf ajuizou uma queixa-crime. Abriu-se, então, um processo na 4ª Vara Criminal de São Paulo.

Chegou-se a marcar uma audiência para a inquirição de Lula. Ocorreria em 28 de agosto de 2001. Porém, valendo-se dos bons préstimos do advogado Márcio Thomaz Bastos, Lula obteve no Tribunal Criminal de Alçada de São Paulo uma liminar trancando a ação.

Argumenta daqui, contra-argumenta dali, o caso subiu para o STJ, em Brasília. Chegou-se a indicar um relator. Sobreveio a eleição de Lula à Presidência da República. E Maluf, como que farejando promissoras alianças, retirou a queixa-crime de circulação. Melhor assim.

Em política, já dizia o velho Ulysses Guimarães, o sujeito não pode estar tão próximo que amanhã não possa estar distante, nem tão distante que amanhã não possa se aproximar.