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Esse impasse do Governo com a classe médica, especialmente com os cirurgiões efetivos do Hospital de Trauma, onde RC detonou neste final de semana 42 mil reais dos cofres públicos importando sete cirurgiões do Rio de Janeiro para substituir os 13 que estão em greve, ganha mais um capítulo.

Publico abaixo o e-mail de uma médica que vou manter o nome no anonimato para evitar represálias:

“Sou médica efetiva do Hospital de Trauma e queria te deixar a par de um detalhe. O “secretário de saúde” declarou que o governador não tem condições de dar aos efetivos o mesmo aumento que deu esta semana aos prestadores de serviço. A alegação é que teria que estender para todo o estado e que nós efetivos custamos mais ao estado devido a direitos como décimo terceiro salário e férias.

Vou te mostrar que esta conta não faz sentido.

No Hospital de Trauma, os médicos que fazem parte de cooperativa (tem de todas as especialidades) recebem R$ 1.000,00 bruto por plantão.

Os efetivos recebem R$ 640,00, mas quando o efetivo está de férias, ou de atestado, ou licença maternidade, o valor é menor.

Então, vamos fazer um cálculo: 

Um médico não concursado (cooperado) recebe 360,00 a mais por plantão. Oito plantões por mês R$ 2.880,00 a mais por mês. Doze meses: R$ 34.560,00 a mais por ano.

É o que, mesmo sem férias e décimo terceiro, um médico de cooperativa recebe a mais que um concursado na mesma função. 

Nos meus plantões, divido meu trabalho com um médico (a) cooperado (a). Eu recebo R$ 640,00 bruto e ele (a) recebe R$ 1.000,00.

Pelo exposto acima, a justificativa do secretário não tem fundamento. Nossas férias e décimo terceiro custam muito menos que R$ 34.560,00 por médico. 

Ou seja, é mais gasto para o estado manter as cooperativas em vez de chamar os concursados. 

Agradeceria muito em nome dos efetivos do Hospital de Trauma se você falasse sobre este fato no seu blog.

Um abraço,”

Sinto que muita coisa está errada no serviço público e que um médico ou outro profissional qualificado qualquer tem que receber um salário compatível com a sua responsabilidade. Por outro lado, é claro que o governador tem suas dificuldadespara ajustar a máquina. mas nada justifica o prolongamento e agravamento das crises por falta de diálogo. A intransigência atrapalha.

Um policial arrisca a vida todo tempo para garantir segurança a comunidade; um médico queima as pestanas e torra o dinheiro da família para se formar e salvar a vida do próximo. Um professor tem na sua frente o futuro do país e precisa de um salário condizente com a responsabilidade que tem.

Não vou dizer que o governador Ricardo Coutinho criou este quadro, mas não posso negar que tem contribuído para a inviabilização da prestação normal dos serviços que cada um tem que oferecer em suas respectivas áreas.

O jeito jocoso e arrogante de conduzir as coisas dando ordens para inviabilizar negociações com as categorias, tirando de seus auxiliares o autonomia para estabelecer acordos, criou o caos temporário.

Não é que antes era bom e hoje o barco virou não. Nunca foi bom, no máximo mediano, mas o estilo belicoso e a intransigência do governador amplificaram as contendas.

No caso em tela, o dos 13 cirurgiões efetivos do Trauma, é apenas mais um capítulo nessa sequência sufocante de adrenalina. Claro que cada parte tem suas razões e os médicos, assim como policiais e professores, merecem uma condição de trabalho melhor e tudo é uma questão de diálogo.

Governador, se olhe no espelho despido de narcisismos. Não seja paranóico a ponto de acreditar que tudo que está acontecendo faz parte de uma orquestração, pois vossa excelência não é o centro do mundo.

Acabe com esse impasse e governe a Paraíba. Fostes eleito para juntar, não para espalhar.

Como diz aquela estrofe do cancioneiro popular:

“A defesa é natural;
Cada qual para o que nasce;
Cada qual com a sua classe;
Seus estilos de agradar.

Um nasce para trabalhar;
Outro nasce para brigar;
Outro vive de intrigar;
E outro de negociar.

Outro vive de enganar;
O mundo só presta assim;
É um bom, outro ruim;
E eu não tenho jeito para dar.

Para acabar de completar;
Quem tem o mel, dá o mel;
Quem tem o fel, dá o fel;
Quem nada tem, nada dá.”