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Invoco o episódio da renúncia de Jânio Quadros a presidência da República para traçar paralelos entre ele e o prefeito Luciano Agra, que surpreendeu quase todo mundo, menos a imprensa, quando teatralizou o gesto de renunciar a uma coisa que nunca foi: candidato a prefeito de João Pessoa.

O ano era 1961 e Jânio tinha sido eleito usando como símbolo uma vassoura, que varreria o atraso do Brasil e a corrupção.

Veja o que dizem os historiadores sobre a época:

“A gestão de Jânio Quadros na presidência da República foi breve, durou sete meses e encerrou-se com a renúncia. Neste curto período, Jânio Quadros praticou uma política econômica e uma política externa que desagradou profundamente os políticos que o apoiavam, setores das Forças Armadas e outros segmentos sociais.

A renúncia de Jânio Quadros desencadeou uma crise institucional sem precedentes na história republicana do país, porque a posse do vice-presidente João Goulart não foi aceita pelos ministros militares e pelas classes dominantes.”

Assim como Agra, Jânio era caricato e de certa forma patético, um típico figuraço pancadão, que foge ao estereótipo do político padrão.

Com desejos totalitários e querendo imitar Getúlio Vargas, Jânio teatralizou sua renúncia após sete meses de gestão e pensava que poderia voltar nos braços do povo para fazer o que bem entendesse e dançou.

Jânio proibiu briga de galo e mulher de biquíni na praia; por aqui Agra pediu a cabeça do jornalista Helder Moura e caiu na besteira de esquecer que era a sombra e não a árvore.

Há quem diga que a renuncia de Agra desperta sentimento de pena e que ele poderá voltar como vítima, mas quem pensa assim não sabe que Agra tem contra si a carga pesada que herdou da gestão Ricardo Coutinho e que sua situação é grave perante os ministérios públicos estadual e federal.

Jânio Quadros e Luciano Agra, dois personagens patéticos arremessados na lata do lixo da história.

O que é o que é que pula pra cima e faz bééééééééééé?

Bode expiatório confesso e operante meu caro Agra.