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Com dificuldades na aparência – ele não pode ser definido como de um bom padrão de beleza – o político Ricardo Coutinho desenvolveu um grande poder de argumentação para compensar.

É sempre assim. Quem tem deficiência em alguma coisa logo busca se superar em outras e, convenhamos, o governador é feio, mas tem conversa para derrubar avião.

Foi com esse poder de convencimento que fez uma meia dúzia de candidatos do PT a vereador desistir para lhe apoiar e aí surgiu o tal do Coletivo RC.

Mas, como tudo que é forjado a ferro e fogo, Ricardo tem um problema grave: é rancoroso, tem raiva de quem lhe faz contraponto e faz de um tudo para tirar o contencioso de tempo.

Assim tem sido comigo e outros colegas da imprensa, a exemplo de Helder Moura, Walter Santos, Clilson Júnior e Rubens Nóbrega, todos processados ou mesquinhamente perseguidos por ele.

Quando achava que já tinha recebido todas as pressões de quem detém o maior cargo público no estado e de certa forma tem o aparelho judicial e policial ao seu favor, eis que o governador me surpreende com mais uma de suas extravagâncias.

Fui convocado à sede da Polícia Federal nesta terça para ser ouvido em mais um dos mais de 40 processos que RC move direta ou indiretamente contra mim.

Só que desta vez ele resolveu me acusar de ser o cara que confeccionou aqueles panfletos ridículos distribuídos na véspera da campanha do ano passado, onde ele é acusado de ter feito pacto com o diabo.

Apesar de toda a cortesia com que sou tratado na PF e dos inúmeros leitores assíduos e até fãs que por lá tenho, confesso que comparecer àquela sede na condição de investigado me chateia.

O delegado Carlos Rafael é competentíssimo e muito perspicaz, a água é gelada, converso sempre com Gominho, Diamantino e outros figuraços no corredor, a moça da cantina é simpática e há respeito mútuo, mas não entra na minha cabeça uma polícia respeitada como a Federal ser aporrinhada por um governador que acha que vai me calar botando pressão. Desista, não vai.

Saiba que quanto maior a pressão mais clareza nas ideias e coragem em dobro. Outra coisa: todo mundo sabe que foi o Coletivo RC quem criou aquele “H” dos panfletos para fazer o candidato Ricardo de vítima.

Quem não lembra que uma Kombi foi apreendida no Parque do Povo em Campina apinhada de panfletos até o teto?

Que eu saiba aquele veículo era da coligação que agora me acusa de ter feito panfletos para denegrir a imagem do então candidato. Não fiz e se tivesse feito estaria a serviço de RC, pois lhe favoreceu.

Mas, como comecei a conversa, Ricardo tem dessas coisas e adora colar nos outros o que cabe nele próprio, confirmando aquela máxima de “quem disso cuida, disso usa”.

O problema, governador, é que ninguém consegue enganar todo mundo o tempo todo. E a sua máscara caiu.

Até quando vais querer segurar tudo só no gogó?

Finalizando, a partir de agora toda vez que for convocado para depor na PF levarei uma denúncia contra um membro do Coletivo RC. Dossiês não me faltam.