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Senadores da frente de combate à corrupção querem que sociedade pressione o Congresso

“Ir além das galerias do Congresso e envolver a população na luta contra a corrupção, fornecendo o apoio necessário para que a presidente Dilma Rousseff possa fazer uma faxina ética no governo. Tudo isso sem implicar alinhamento automático com o Executivo ou na distribuição de cargos e emendas. Assim resumem seu objetivo os senadores da frente de combate à corrupção, lançada na última segunda-feira . Um grupo não formalizado e ainda minoritário vê na sociedade a alternativa para pressionar o Congresso a tomar uma atitude contra a impunidade. Nesta terça-feira, às 8h, os que aderiram ao movimento vão se reunir na Comissão de Direitos Humanos da Casa.

A pressão de fora para dentro do Congresso é o que faz ele se mexer

– A pressão de fora para dentro do Congresso é o que faz ele se mexer. Quando a movimentação começa a pressionar para votar determinadas matérias, o Congresso se move e faz. O exemplo melhor é o da Lei Ficha Limpa, porque foi uma ação popular e aí o Congresso não teve outra alternativa senão se curvar ao poder maior que é o da sociedade – diz uma das integrantes do movimento, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS).

– O que eu penso é que nós temos que ampliar para a sociedade. O povo tem que estar mobilizado e apoiando, de onde quer que venha a medida de combate à corrupção – acrescenta Randolfe.

O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) destaca ainda a importância de ser um contraponto a outros parlamentares que não desejam medidas moralizadoras na administração pública:

– Nós percebemos que a presidente Dilma estava adotando iniciativas muito importantes para sanear a república brasileira e nós percebemos que começou a haver no Congresso Nacional um contra-movimento desejando chantagear a presidente Dilma. Então lançamos esse movimento para que pudesse estimular e motivar a presidente Dilma a ampliar a faxina que foi iniciada – diz Ferraço.

Em junho, antes do início do escândalo dos Transportes, Simon chegou a exortar a presidente Dilma a resistir às chantagens por cargos que existem no jogo político. Agora, foi a vez do senador Pedro Taques (PDT-MT), que também integra a frente, de cobrar providências. Ele diz que o Senado não pode ficar omisso quando há “reiterados casos de corrupção”.

– Eu vejo que esse movimento é importante em razão de uma única palavra. Resistir! Resistência à corrupção. Não interessa quem seja a presidente, de que partido é a presidente. O que interessa é que nós temos que iniciar, ou dar continuidade para ganhar a luta e acabar com a corrupção. Porque não adianta você ter milhares de programas governamentais, bolsa escola, bolsa família, bolsa isso, bolsa aquilo se esse dinheiro não chega na atividade final, se esse dinheiro some na atividade meio – declarou, acrescentando que a pauta econômica, apesar de importante, não pode ofuscar o debate sobre a corrupção:

Ferraço também apoia a criação de uma CPI da Corrupção. Ele chegou a assinar o requerimento da CPI – que não chegou a ser instalada – para investigar as irregularidades no Ministério dos Transportes, mas acha que a situação agora é diferente.

– É preciso separar a busca pela verdade da luta política. Eu não posso e não devo apostar no quanto pior melhor. Essa CPI ampla como está, ela me parece ter muito mais como objetivo a luta política do que outra coisa qualquer.

Eu ajo independente do governo. Tenho votado contra o governo em muitas das matérias, a favor em algumas. E penso também que CPI é um instrumento legítimo

A senadora Ana Amélia pensa diferente, deixando claro também que apoiar uma faxina contra a corrupção não significa automaticamente apoio ao governo.

– Não se trata isso de um alinhamento automático ao governo dela. Faço questão de registrar. Isso foi uma ação pontual. Eu ajo independente do governo. Tenho votado contra o governo em muitas das matérias, a favor em algumas. E penso também que CPI é um instrumento legítimo. É um instrumento importante e não atrapalha a governabilidade – afirma a senadora.

– Nós não estamos pedindo autorização à presidente para apoiar suas medidas. Estamos é apoiando, porque achamos que tem muitas medidas importantes no combate à corrupção – completa Randolfe.

Ferraço vai na mesma linha:

-Eu pessoalmente não recebi nenhuma manifestação, mas também confesso que quando participei desse movimento não o fiz pensando nisso. Fiz pensando na necessidade de sinalizar para a população brasileira que existem parlamentares no Congresso Nacional que não fazem parte desse jogo que é dando que se recebe e não estamos preocupados com assuntos relacionados a cargos, muito menos a emendas.

A reunião desta terça-feira, durante uma audiência pública no Senado, cujo tema é “As ações contra a corrupção e impunidade no país” deve contar com as presenças de Simon, Randolfe, Ana Amélia, Taques, Paulo Paim (PT-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF), Luiz Henrique (PMDB-SC), Eduardo Suplicy (PT-SP), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Casildo Maldaner (PMDB-SC). Foram convidados, entre outros, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Controladoria-Geral da União (CGU), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que foi o responsável por recolher as assinaturas que resultaram na Lei da Ficha Limpa.

O Globo”