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O jornal francês Les Echos  publicou nesta quarta-feira (13/05) um artigo com uma análise de Jean-Hervé Lorenzi do papel dos economistas que fazem previsões no mundo atual e são cada vez mais questionados. “A suspeita e até mesmo a dúvida sobre a utilidade dos economistas se instalaram a partir do estouro da crise de 2007. Nada é mais cruel que esta pergunta de Elisabeth II, ‘Se essas coisas eram tão grandes, como é que não enxergaram?’.  

“De fato, todos acham que nenhum economista teria visto sinal algum. Errado. Muito tempo antes, alguns entre eles haviam analisado o desenvolvimento incrível do endividamento público e privado, ligado à necessidade de manter o poder de compra global dos países ocidentais, que sofreu com essa transferência massiva de suas atividades para os países emergentes e a colocação no desemprego dos trabalhadores não qualificados que se tornaram inúteis a partir de então. Fomos menos competentes no momento do Lehman Brothers e a descoberta da expansão totalmente incontrolada da finança. Mas mesmo se os resultados ficaram longe das ambições iniciais, os economistas inspiraram duas políticas em ruptura com o passado, a tentativa de uma governança econômica mundial e a regulação da finança”, prossegue Lorenzi, que é  presidente do Circulo dos Economistas.     

Porém, os problemas mais difíceis de análise e de compreensão da economia  mundial estão diante de nós. Fala-se de economia ‘medíocre’, que quer dizer simplesmente que o crescimento da economia mundial desacelerou de maneira muito significativa. Aliás, não fomos tão numerosos nesses últimos anos a afirmar que, contrariamente ao que poderíamos imaginar de forma preguiçosa, a trajetória da economia mundial não seria simplesmente o prolongamento daquilo que conhecemos antes de 2007. Uma questão se impõe: quanto tempo essa desaceleração vai durar? Para isso, é preciso muita  humildade, muito rigor e muito método. Podemos, sem assumir muitos riscos imaginar que os parâmetros conjunturais de hoje incluem o preço do petróleo e as taxas de câmbio vão a grosso modo perdurar talvez um ano ou dois e manter os Estados Unidos próximos dos 2,5 % de crescimento, a Europa entre 1,5 e 2% e os países emergentes em uma desaceleração  muito significativa, fórmula vaga, porque essa perspectiva exige uma extraordinária prudência, na medida em que não se é realmente capaz de medir a posição atual da economia chinesa. 

Mas aí não está o mais importante. Temos um trabalho gigante a realizar sobre vários pontos hoje, sem resposta teórica clara e definitiva. Qual será o impacto do envelhecimento da população mundial sobre o crescimento? Podemos imaginar uma desaceleração do progresso técnico durável apesar das aparências de uma ebulição de inovações? Os níveis de desigualdades constatados na maior parte dos países, tanto para os patrimônios quanto os rendimentos, são favoráveis ao crescimento ou não? Como mobilizar a poupança, que aumenta devido ao envelhecimento da população, para desenvolver atividades novas e arriscadas por natureza, já que o envelhecimento é sinônimo de aversão ao risco e que são os idosos que dispõem do essencial da poupança financeira? Tantos problemas novos dos quais seu emaranhado cria  condições de desenvolvimento da economia mundial totalmente novas, difíceis de conceitualizar e amplamente imprevisíveis. 

Se somarmos a surpresa que conhecemos quanto à natureza dos empregos criados hoje em nossos países – uma forte proporção de empregos pouco qualificados num momento em que o mundo digital nos faz esperar o inverso – e que, por outro lado, não se sabe como os bancos centrais, atores principais da economia mundial, podem sair razoavelmente das políticas monetárias muito expansivas que elas estão conduzindo, a tabela 2015-2020 é bem difícil de traçar. 

Nunca provavelmente desde a Grande Crise, nos encontramos diante de uma situação tão complexa e cuja complexidade torna bem improvável a uma taxa de crescimento da economia mundial mais rápida. Certamente, como sempre, o pior nunca é garantido e a história da economia mundial é marcada por revoluções tecnológicas que apresentam o conjunto para recriar uma dinâmica que ninguém havia sequer imaginado. No entanto, hoje resta aos economistas deixar as áreas teóricas tradicionais, para descrever e compreender esta configuração totalmente nova, à pensar os instrumentos de um crescimento potencial mais forte. Sim, os economistas”.