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O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou um acordo com o estado de São Paulo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac que será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, e afirmou, em reunião com governadores nesta terça-feira (20), que vai incorporá-la ao Programa Nacional de Imunizações.

“A vacina do Butantan será vacina do Brasil”, disse Pazuello no encontro. “O Butantan já é o grande fabricante de vacinas para o Ministério da Saúde, produz 75% das vacinas que nós compramos.” O ministro disse também que as vacinas serão fabricadas até início de janeiro e devem ser aplicadas no mesmo mês. Ao anunciar o acordo, Pazuello disse: “Isso reequilibra o processo”.

O Ministério da Saúde diz que o valor previsto é de R$ 1,9 bilhão, mas representantes ligados ao governo de São Paulo citam custo de R$ 2,6 bilhões. Os recursos, segundo a Folha apurou, devem ser liberados por meio de medida provisória.

O acordo foi anunciado após dias de crise envolvendo a vacina Coronavac e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e secretários estaduais de Saúde.

Na semana passada, o Ministério da Saúde apresentou um cronograma para a vacinação contra Covid-19 apenas com a vacina que está sendo desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, que no Brasil será produzida pela Fiocruz. Para parte dos secretários estaduais que estavam na reunião, o governo federal estaria ignorando o imunizante que tem participação do Instituto Butantan.

No dia seguinte, o conselho nacional dos secretários estaduais de Saúde enviou uma carta ao Ministério da Saúde cobrando compromisso de inclusão da Coronavac no Programa Nacional de Imunizações.

“As vacinas não estão sendo tratadas de forma republicana pelo Ministério da Saúde”, disse Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde de São Paulo, ao Painel, da Folha. “Todos os presentes na reunião entenderam da mesma forma. A vacina de São Paulo está sendo ignorada.”

Antes de anunciar o acordo com a vacina, o governo federal já tinha um contrato para obter 140 milhões de doses —100 milhões da vacina da Universidade de Oxford e 40 milhões do mecanismo Covax Facility, liderado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Com a compra de doses também da Coronavac, portanto, o total acertado deve chegar a 186 milhões. Tanto a vacina de Oxford quanto a da Sinovac, porém, têm sido testadas com duas doses, o que indica que, na prática, a oferta com esse montante atingiria 93 milhões de pessoas —ou 44% da população.