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Mídia nacional denuncia contrato entre o estado e a Cruz Vermelha e revela que Paraíba pagou o maior valor

A gestão pactuada entre o governo do estado e a organização social Cruz Vermelha, que administra o Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, é alvo de uma extensa matéria publicado pelo jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (1º).

A reportagem destaca que apesar de os tribunais de contas do Estado e da União apontarem problemas no gerenciamento na unidade de saúde, o governo do estado renovou o contrato com organização social até 2016. A Cruz Vermelha recebe cerca de R$ 9,8 milhões mensais para administrar o Hospital de Trauma. O contrato é o maior da organização social no Brasil atualmente.

A Folha lembra também que a contratação da Cruz Vermelha, em 2011, sem licitação, está agora na mira do Ministério Público da Paraíba, conforme garantiu a promotora Gardênia Galdino.

A gestão do hospital em João Pessoa começou com o empresário Daniel Gomes da Silva, diretor nacional da organização.

Daniel Silva era dono de uma empresa de aluguel de ambulâncias, a Toesa, que ficou famosa em 2012 após o “Fantástico”, da Globo, flagrá-la oferecendo propina para fechar contrato com hospitais no Rio.

Réu numa ação em Natal (RN) – acusado de chefiar um esquema que usava uma ONG para favorecer a Toesa-, Daniel Silva foi reeleito para o Conselho Diretor da Cruz Vermelha em julho.

O governo da Paraíba, em nota, disse que a organização social foi contratada sem licitação para gerir o Hospital de Trauma porque havia um decreto de emergência devido à “situação caótica” do local.

Ainda segundo o governo, a Cruz Vermelha atendeu à legislação paraibana -criada na atual gestão – para prestar o serviço.

O ex-vice-presidente da Cruz Vermelha, Anderson Choucino, disse à Folha que foi acusado após sofrer perseguição dos atuais diretores da organização. “A Cruz Vermelha no Brasil é uma instituição falida, corrupta, autoritária e não transparente. Ironicamente, estamos diante de uma instituição humanitária’ que trava uma guerra interna permanente pelo poder”, diz. “Não existe outro caminho senão uma intervenção [internacional]”.

Em meio à maior crise de sua história, desencadeada pelo sumiço de doações para vítimas de desastres, a Cruz Vermelha (CV) no Brasil e seus dirigentes acumulam processos pelo país sob acusação de desviar recursos da saúde. A maior parte das verbas que a organização social movimenta vem de hospitais e não de doações.

Confira a matéria da Folha de S.Paulo na íntegra:

 Acusada de desviar verbas da saúde, Cruz Vermelha acumula processos

 Em meio à maior crise de sua história, desencadeada pelo sumiço de doações para vítimas de desastres, a Cruz Vermelha (CV) no Brasil e seus dirigentes acumulam processos pelo país sob acusação de desviar recursos da saúde.

Há problemas em vários Estados, que se interligam. Autoridades de cada Estado ainda não sabem o total desviado nos vários casos, mas têm compartilhado informações.

Neste mês, uma comissão da Federação Internacional da Cruz Vermelha virá ao país para implementar mudanças.

Como a Folha revelou em julho, uma auditoria encomendada pelo órgão internacional apontou que ao menos R$ 2,3 milhões doados para ajudar Japão, Somália e Rio foram desviados para uma ONG.

O Instituto Humanus, no Maranhão, é da mãe do ex-vice-presidente nacional da CV, Anderson Choucino. Após a reportagem, a filial maranhense da CV, que estava no centro do escândalo, fechou.

Mas a maior parte das verbas que a CV movimenta vem de hospitais, não de doações.

No ano passado, a Justiça de Santa Catarina bloqueou bens da CV nacional e das filiais do RS e do MA, acusadas de desviar ao menos R$ 2,5 milhões de um hospital municipal de Balneário Camboriú, controlado pela filial gaúcha.

A quebra de sigilo descobriu que o dinheiro teve destino igual ao das doações: várias entidades no Maranhão.

“Pulverizaram os recursos do hospital para dificultar o rastreamento”, disse o promotor Jean Forest. Choucino, ex-vice-presidente da CV, também foi acusado neste caso e teve bens bloqueados.

No Distrito Federal, a Justiça condenou a filial de Petrópolis da CV a devolver ao governo R$ 3,2 milhões que recebera em 2010 para gerir duas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) em Brasília.

O valor foi pago adiantado, o dinheiro sumiu e o serviço não foi prestado. A CV de Petrópolis ficou proibida de contratar com o poder público.

EMPRESA

Já em João Pessoa (PB), a filial gaúcha da CV -a mesma que atuou no hospital de Camboriú- é investigada por administrar o Hospital de Trauma, o maior do Estado, a um custo de R$ 9,8 milhões por mês.

O caso virou alvo da oposição nestas eleições, porque o governador Ricardo Coutinho (PSB) renovou com a CV até 2016, apesar de os tribunais de contas do Estado e da União apontarem problemas.

Segundo a promotora Gardênia Galdino, a contratação da CV em 2011, sem licitação, está agora na mira do Ministério Público da Paraíba.

CNPJ LIMPO

Apesar dos problemas com administração de hospitais, a CV nacional acaba de fundar um instituto, com CNPJ limpo, para tentar firmar novos contratos pelo Brasil afora.

Segundo o secretário-geral da CV, Paulo Roberto Costa e Silva, o instituto é uma forma de levantar fundos para saldar as dívidas da instituição.

Um dos entusiastas do projeto, segundo Costa e Silva, é o presidente do Conselho Fiscal da CV, Fernando Antunes.

Hoje no alto escalão da CV, Antunes foi investigado na operação Caixa de Pandora, em 2009, suspeito de corrupção como subsecretário de Saúde do Distrito Federal. Não foi denunciado nesse caso.

Mas, no DF, Antunes é réu em ação de improbidade junto com a empresa de seu colega da CV, a Toesa -contratada sem licitação quando ele era subsecretário da Saúde. Também já foi condenado a devolver R$ 200 mil a um condomínio do qual foi síndico.

OUTRO LADO

A atual diretoria da Cruz Vermelha nacional afirma que as denúncias referem-se à gestão anterior, que está tentando “recuperar a imagem” da instituição e que tem “livre-arbítrio” para escolher seus membros, mesmo que eles sejam réus em processos.

Já o ex-vice-presidente da instituição, Anderson Choucino, diz que “a CV no Brasil é uma instituição falida, corrupta, autoritária e não transparente. Não existe outro caminho senão uma intervenção [internacional]”.

A gestão do hospital em João Pessoa começou com o empresário Daniel Gomes da Silva, diretor nacional da CV.

Silva era dono de uma empresa de aluguel de ambulâncias, a Toesa, que ficou famosa em 2012 após o “Fantástico”, da Globo, flagrá-la oferecendo propina para fechar contrato com hospitais no Rio.

Réu numa ação em Natal (RN) -acusado de chefiar um esquema que usava uma ONG para favorecer a Toesa-, Silva foi reeleito para o Conselho Diretor da CV em julho.

‘Instituição é falida e corrupta’, diz ex-dirigente da Cruz Vermelha

A atual diretoria da Cruz Vermelha (CV) nacional afirma que as denúncias referem-se à gestão anterior, que está tentando “recuperar a imagem” da instituição e que tem “livre-arbítrio” para escolher seus membros, mesmo que eles sejam réus em processos.

Já o ex-vice-presidente da CV, Anderson Choucino, principal alvo da atual diretoria, nega ter feito desvios tanto no caso das campanhas humanitárias como no do hospital de Balneário Camboriú (SC).

Segundo Choucino, os valores apontados pelo Ministério Público catarinense como “desvios” referiam-se à remuneração da Cruz Vermelha pelo serviço no hospital.

Choucino diz ainda que foi acusado após sofrer perseguição dos atuais diretores da CV.

“A CV no Brasil é uma instituição falida, corrupta, autoritária e não transparente. Ironicamente, estamos diante de uma instituição humanitária’ que trava uma guerra interna permanente pelo poder”, diz. “Não existe outro caminho senão uma intervenção [internacional]”.

‘LIVRE-ARBÍTRIO’

Questionado sobre dirigentes da CV que são réus em processos pelo país, o secretário-geral da instituição, Paulo Roberto Costa e Silva, disse que as eleições desses integrantes são “democráticas”.

“A gente não tem ingerência nenhuma sobre isso. É o tal negócio: existe um Conselho Diretor nacional que tem livre-arbítrio para escolher seus representantes.”

O presidente do Conselho Fiscal da CV, Fernando Antunes, admite que as investigações já feitas contra ele -como na operação Caixa de Pandora- e a condenação a devolver R$ 200 mil para um condomínio no Distrito Federal constituem “manchas” em sua história, mas diz que suas ações na CV são “em benefício da instituição”.

Nesses casos e na ação em que é acusado de contratar sem licitação a empresa Toesa -que era de seu colega da CV Daniel Gomes da Silva-, Antunes nega irregularidade.

A Folha não conseguiu contato com o empresário Silva nos telefones fornecidos pela CV como sendo dele.

O governo da Paraíba, em nota, disse que a CV foi contratada sem licitação para gerir o Hospital de Trauma, em João Pessoa, porque havia um decreto de emergência devido à “situação caótica” do local.

Ainda segundo o governo, a CV atendeu à legislação paraibana -criada na atual gestão- para prestar o serviço.

A Folha não conseguiu localizar os ex-dirigentes da filial de Petrópolis da CV, condenada por sumir com o dinheiro das UPAs de Brasília.

Blog do Gordinho com Folha de S.Paulo