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Manutenção da votação secreto é vista como um trunfo de Renan no Senado

A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, de  manter a votação secreta para a eleição da Mesa do Senado pode ter impacto negativo para o governo de Jair Bolsonaro. A votação em segredo reconfigura a disputa pelo comando da Casa e favorece Renan Calheiros (MDB-AL), que apoiou Fernando Haddad (PT) nas eleições presidenciais e é visto como um nome hostil ao Planalto. Estrategistas do MDB garantem que Renan tem o apoio de, ao menos, 40 senadores. Simone Tebet (MDB-MS), Tasso Jereissati (PSDB-CE), David Acolumbre (DEM-AP), Esperidião Amin (PP-SC), Major Olímpio (PSL-SP) e Alvaro Dias (Pode-PR) também estão na corrida.

No Senado, o PSL de Bolsonaro não avançou como na Câmara, onde elegeu a segunda maior bancada, com 52 deputados, atrás apenas do PT, com 56. As maiores bancadas de senadores são do MDB (12), PSDB (8), PSD (7) e DEM (7). O PSL tem quatro representantes.

Lançado como contraponto a Calheiros, o senador Major Olímpio (PSL-SP) disse ao Correio que seu objetivo é unificar as candidaturas “anti-Renan”. “Se a eleição fosse aberta, eu seria o maior favorecido”, afirmou.

Renan é criticado pelos procuradores da Lava-Jato e, por isso, é um nome desgastado diante  da população. O coordenador da Lava-Jato no Ministério Público Federal em Curitiba, Deltan Dallagnol, disse, no Twitter, que a eleição de Renan “dificulta a aprovação de leis contra a corrupção”.

O problema de Major Olímpio, segundo o cientista político Ivan Ervolino, da empresa SigaLei, “é que ele é um novato no Senado, local muito arraigado em tradições”. O especialista diz que “eleição no escuro é vantajosa para quem quiser se opor ao Planalto”.

Para o professor de ciência política da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Felippo Madeira, a votação secreta “é a chance de o Congresso lembrar ao Planalto que não basta só a boa vontade do Executivo para que projetos sejam aprovados. “É necessário um trabalho conjunto entre os Poderes.” As presidências do Senado e da Câmara são fundamentais para o andamento da pauta de interesse do governo, como a reforma da Previdência, Para ser eleito, o candidato à Presidência do Senado precisa do voto de 41 dos 81 senadores.

Na Câmara, a votação secreta pode acelerar a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à releição. Maia é chancelado pelo PSL, a quem prometeu a Presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a da Comissão de Finanças (CF), além da segunda vice-presidência da Mesa. Outras 10 legendas declararam apoio a Maia, mas ele também enfrenta o
posição.

Lançado de maneira independente, Fábio Ramalho (MDB-MG), primeiro vice da Casa, também concorre e pode embaralhar a disputa. “A eleição não pode ser de líderes, de partidos, do toma lá dá cá”, afirmou. Entre os pretendentes estão ainda Alceu Moreira (MDB-RS), JHC (PSB-AL), Capitão Augusto (PR-SP), Kim Kataguiri (DEM-SP) e Marcelo Freixo (Psol). São necessários 257 votos para eleger o presidente.

PSB contra Maia

Em reunião ontem, deputados do PSB decidiram, por 22 votos a 1, não apoiar a reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A sigla agora espera uma posição de PDT e PCdoB — os três integram um bloco parlamentar —, para tomar uma decisão conjunta sobre quem será o candidato do grupo. Está em curso uma articulação para ampliar o bloco de centro-esquerda, com a inclusão de MDB, PP e PTB, o que reuniria 150 deputados. Se o grupo for fechado, é possível que defina uma candidatura própria, o que poderia desequilibrar o jogo que, atualmente, é favorável a Maia. De acordo com o líder do PSB na Câmara, Tadeu Alencar (PE), o apoio oficial do PSL a Maia teve impacto determinante no sentimento da sigla. Com informações Correio Braziliense

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