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Foi publicada neste domingo (11) uma reportagem em que o jornal francês ‘Le Monde’ afirma influência do governo dos Estados Unidos na criação da Operação Lava Jato. A influência direta teria conexão com o ex-juiz Sergio Moro, um dos responsáveis por julgar os processos. O jornal diz que a força-tarefa serviu a “vários interesses, mas não à democracia”. No contexto da reportagem, suspeita-se de um acerto entre a força-tarefa da Lava Jato e autoridades americanas.

A reportagem aponta, ainda, que o interesse notório em se infiltrar em terras brasileiras teria iniciado na gestão do ex-presidente George W. Bush. Segundo o jornal, a administração do ex-presidente norte-americano buscou “aumentar a ação antiterrorista de Brasília” e tentou criar uma “uma rede de especialistas locais, capazes de defender as posições americanas ‘sem parecerem joguetes’ de Washington”.

Por sua vez, Sérgio Moro colaborou ativamente com as autoridades dos Estados Unidos, tendo viajado em 2007 para realizar vários contatos dentro do FBI, do DoJ [Departamento de Justiça] e do Departamento de Estado. Em  novembro de 2009, Moro teria participado de um evento ligado à Polícia Federal em Fortaleza, que também recebeu Karine Moreno-Taxman, uma procuradora dos Estados Unidos especializada na luta contra a lavagem de dinheiro e o terrorismo. Em uma de suas falas, ela afirma que “em caso de corrupção, você deve sistematicamente e constantemente ir atrás do ‘rei’ para derrubá-lo. É preciso que o povo odeie essa pessoa”. Lula não foi citado na reportagem como o suposto “rei”.

No governo de Barack Obama, membros de organizações dos Estados Unidos como o FBI e a polícia federal norte-americana teriam ido até Curitiba, em outubro de 2015, para receber “explicações sobre os procedimentos em andamento”. A extensa reportagem do Le Monde detalha diversas outras interferências da política norte-americana na Operação Lava Jato. Até o momento, nem Sergio Moro nem a Polícia Federal se manifestaram sobre o assunto.