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No episódio lamentável da destruição da pista do Aeroclube na última quarta feira, além da  truculência das máquinas escavando o asfalto para implodir o uso após a previsível queda da liminar, outro episódio ocorreu paralelamente e que é tão grave quanto o vandalismo autorizado pelo prefeito Luciano Agra. O cerceamento à liberdade de imprensa. 

Em delírio pirotécnico o mesmo Lúcius Fabiani que comanda “espetáculos” de derrubada de barracas e fiteiros, poda de cajueiro e eucaliptos na Granja Santana e ordena a pancadaria em ambulantes, teve o cinismo de impedir o acesso da imprensa ao aeroclube naquela noite trágica e inesquecível. 

Lúcius, que é um leão de chácara disfarçado, mandou um leão de chácara sem disfarces obstacular o trabalho dos repórteres que iam chegando para registrar as cenas que depois ganharam o Brasil. 

Fui um dos primeiros a chegar avisado que fui pelo meu irmão Clilson Júnior e quando percebi a paraquedista Andreza Amaral, que é esposa do fotógrafo e paraquedista Marcus Antonius, se jogando na frente daquela escavadeira, logo, por instinto jornalístico, tive o impulso de entrar para evitar o pior. 

Apesar de várias viaturas da Polícia, era da Guarda Municipal a tarefa de impedir o acesso de jornalistas e outros interessados no fato.

E a ordem vinha do secretário Lúcius Fabiani, conforme gritou o guarda pressionado por colegas da imprensa que iam chegando. Lúcius estava bem ao lado dizendo jocosamente aos proprietários de aviões que podiam retirar suas aeronaves na cabeça quando ouviu o guarda entregar que a ordem tinha sido dele. 

Olhou pra o lado e se deu conta de que toda imprensa já estava no local como em um passe de mágica. É como diz um amigo meu: jornalista é como macaco, um se agarra no rabo do outro para ficar no mesmo galho. 

E foi aí que Lúcius saiu de fininho e percebeu que um escândalo nacional estava acontecendo bem na sua frente e a culpa podia cair sobre os seus ombros. 

Antes, eu entrei na tora dando um pitu no leão de chácara e lá dentro fui ágil para pegar o cartão de memória da máquina fotográfica de Marcus Antônius, que mesmo vendo a esposa Andreza transformando um gesto heróico em risco de vida, teve sangue frio suficiente para continuar clicando seu instrumento de trabalho em defesa do Aeroclube e da notícia.

Puxei Andreza até o lado de fora, aonde cada vez chegavam mais “macacos no galho”, ou jornalistas na frente de batalha da notícia, e ela concedeu aquela entrevista a TV Cabo Branco e que depois a Rede Globo repercutiu nacionalmente e conceituou o ato da PMJP como “vandalismo”. 

Ah! Ia me esquecendo. Descarreguei o cartão de memória com as fotos de Marcus na net e a várias mãos fizemos o Brasil saber que a Paraíba pede socorro. 

Valeu macacos! Agarradinhos, nenhum caiu do galho e a resistência velha de guerra agradece orgulhosa.

Estamos juntos!