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Quando há vinte anos o escritor Francis Fukuyama decretou unilateralmente o fim da história em suas teses influenciadas por Hengels, partindo do princípio de que o fim da guerra fria, Glasnost e a queda do muro de Berlim, significavam o fim das ideologias e, sem disputa entre capitalismo e socialismo, a história sucumbiria à democracia liberal como solução final e não teria mais capítulos, errou feio.

Pensei, outros fatores virão, pois Leon Trotsk disse que a revolução é permanente, dialética, e, assim como Cazuza, a humanidade pedirá: ideologia, quero uma para viver.

Quando o conceito nietzschiano de que “Deus está morto” perdeu folego para a cultura do Armagedom e o exoterismo dos hippies da década de 60 ganhou força a partir do barril de pólvora do Oriente Médio e o 11 de setembro, pensei: mais vivo do que nunca, Deus segue com régua e compasso e a Bíblia é o ópio necessário para aliviar o que está por vir.

Caminhamos de fato para o ponto de convergência e nossa geração vive a decadência ampla, geral e irrestrita.

Quem diria que, décadas depois de sepultada, a direita voltaria e com ela traria o nazifascismo?

Acesso as redes sociais e cada vez mais vejo pessoas questionando os avanços conquistados no mundo, da década de 60 pra cá, condenando as ideologias mais a esquerda, cultuando as ditaduras, os torturadores e as práticas segregadoras.

Estamos, não tenham dúvida, diante de um fenômeno conservador capaz de santificar Adolph Hitler e demonizar os judeus, de apedrejar quem resistiu as ditaduras e exigir os militares de volta.

A queda de Dilma foi precedida pelo erro do envolvimento da esquerda com as práticas da corrupção para se manter no poder, mas junto com Dilma e o PT a esquerda do mundo levou um xeque mate da direita.

Até nos EUA o risco da eleição de Donald Trump, em contraponto ao democrata Obama e a possibilidade de ascenção da primeira mulher ao posto de presidenta da nação mais poderosa do mundo, revela uma conspiração conservadora varrendo o mundo.

A intolerância surge nas redes sociais e na sequencia ganha as ruas. A internet, que parecia ser instrumento de libertação quando levou milhares as ruas na Primavera Árabe, agora inverte os papéis e traz pras ruas forças reacionárias. E surgem Bolsonaros por todos os cantos, os falsos profetas.

Junto com essas forças os primeiros sinais do anticristo, ascendendo verticalmente aquele que já nasceu, cresceu e faz estágio na vida para pleitear o posto de salvador da terra, quando, como diz as escrituras, nossas esperanças minguarem e formos levados à condição de zumbis, teleguiados, presas fáceis pela falta de fé nos líderes políticos e religiosos.

Estou apocalíptico? Apenas um bom observador. Macro.

A terceira lâmina já foi acionada.