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O governo articula, também, uma manobra para deixar os deputados mais à vontade no dia da votação. Integrantes do PMDB discutem a apresentação de uma questão de ordem para que os deputados sejam dispensados de votar no microfone, registrando suas escolhas apenas no painel eletrônico.

A alegação é que o rito que prevê a fala no microfone resultou de uma interpretação do então presidente da Câmara, o agora cassado Eduardo Cunha, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff. Portanto, isto poderia ser mudado a partir de uma provocação de deputados. Assim, com menos exposição, o governo pretende angariar votos de parlamentares mais suscetíveis à opinião pública, especialmente em um cenário em que Temer aparece com apenas 5% de aprovação popular. A esperança é que, sem precisar “mostrar a cara”, deputados relutantes votem a favor do presidente. 

“Estamos analisando como fazer, mas é possível que apresentemos uma questão de ordem para desobrigar os deputados de terem que falar no microfone na hora do voto. A sessão será televisionada e isto pode constranger muitos que desejam ser fiéis ao governo, mas têm medo da reação de suas bases”, explica um ministro do PMDB.

Para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a página será virada na quarta-feira. A expectativa de Maia é que o quórum será de, aproximadamente, 400 deputados. Aliados do governo destacam que, após ensaiar uma postura mais independente em relação ao governo, logo que o PSDB o apontou como alternativa viável para lidar com a crise na sucessão de Temer, Maia voltou a atuar mais afinado com o Planalto.

 

 

Redação