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Um anúncio feito pelo Ministério da Saúde nesta última semana afirma que, agora, a pasta pretende adquirir doses da vacina da empresa norte-americana Pfizer. Há sete meses, a empresa apresentava as primeiras ofertas de imunizantes contra a Covid-19, todas rejeitadas pelo Brasil. A Pfizer não foi a única a ter propostas rejeitadas, pois documentos mostram que outros laboratórios também tiveram ofertas que previam entregas mais cedo ignoradas, a exemplo do Instituto Butantan, que hoje é responsável por pelo menos 78% das vacinas já distribuídas no país contra a Covid.

Embora o ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, tenha afirmado recentemente que encontrou dificuldade em negociações com o consórcio Covax Facility, da Organização Mundial de Saúde, pessoas ligadas às conversas apontam que foi da pasta a decisão de adquirir doses para apenas 10% da população. Nesta semana, diante do agravamento da crise e do aumento da pressão de governadores, o Ministério da Saúde anunciou que prepara contratos com Pfizer, Janssen e Moderna para obter 151 milhões de doses entre maio e dezembro de 2021.

Tentativas de fechar acordo com o Brasil

A farmacêutica fez a primeira oferta em 14 de agosto de 2020 e previa 500 mil doses ainda em dezembro de 2020, totalizando 70 milhões até junho deste ano. A Pfizer aumentou a oferta inicial quatro dias depois, elevando para 1,5 milhão o número de doses ainda em 2020, com possibilidade de mais 1,5 milhão até fevereiro de 2021 e o restante nos meses seguintes.

Sem aprovação do governo, uma nova proposta foi apresentada em 11 de novembro. Com o passar do tempo, governos de outros países foram tomando o lugar do Brasil, e as primeiras doses ficariam para janeiro e fevereiro –2 milhões de unidades.

Em 7 de dezembro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou o plano para iniciar a vacinação em São Paulo no dia 25 de janeiro com as doses da Coronavac, envasadas pelo Instituto Butantan, ligado ao estado. Bolsonaro, então, ensaiou reação na tentativa de contrapor o adversário político. A partir daí, pressionado por não ter fechado o acordo, o governo passou a fazer críticas públicas à empresa.

Em 23 de janeiro, o Ministério divulgou carta em que afirma que um eventual acordo causaria “frustração aos brasileiros” por envolver apenas 2 milhões de doses na entrega inicial. Naquela mesma semana, no entanto, a pasta comemorava ter importado número semelhante de doses do imunizante Oxford/AstraZeneca por meio da Fiocruz.

Em 15 de fevereiro, a Pfizer fez nova oferta ao governo (a que está em vigor) de 100 milhões de doses, 30 milhões a mais que a primeira oferta, mas com início apenas em junho.

Getty Images / FolhaPress.