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Repercuto agora um artigo do ex-deputado Gilvan Freire sobre o medo de governar que governa a Paraíba, numa referência ao estilo Ricardo Coutinho e algumas práticas da chamada Nova Paraíba.

O MEDO DE GOVERNAR GOVERNA O GOVERNO – A Paraíba está sobressaltada com essa experiência de administração que Ricardo imprime ao governo. O estilo do governador parece não encontrar paralelo entre os ex dos últimos tempos no Estado e na região vizinha. É um choque de perfil mais do que o choque de gestão esperado. 

A classe política está atônita, porque previa tratar com um líder pouco afetivo mas pelo menos capaz de praticar um mínimo da chamada política de correligionários, um regime varejista de reciprocidade em que o governante recebe apoio eleitoral em troca de favores do governo. Trata-se de uma ideologia pagã, segundo a qual os aliados mais importantes – prefeitos e deputados – entregam até a honra, mas não entregam os feudos, porque são capitanias hereditárias adquiridas por herança de seus ancestrais ou tomadas à muque nas disputas provinciais. São os currais eleitorais onde entra gente no lugar de bois, todos com o mesmo grau de consciência política. 

Ricardo sabe que esses quadrados territoriais do regime oligárquico limitam os poderes de um líder reformista. O governo terá de chegar à base da forma que os feudalistas desejam, e não como o reformista quer. São dois governos distintos que se antagonizam até quando um possa vencer o outro. Ou, então, se unirem. 

Lula também sonhava em dar um choque de perfil no governo, até que Zé Dirceu dissesse que antes ele tinha de chegar à presidência, depois de três derrotas sucessivas impostas pelas oligarquias do país e pelo ‘burrismo’ das correntes radicais petistas – aqueles que usaram depois cuecas como armas das transformações éticas. No ‘coletivo’ de Ricardo Coutinho – um agrupamento ideológico composto de poucos gênios produtivos, alguns pensadores diletantes e vários militantes fanáticos dependurados nos cabides do emprego público – não há sequer quem o ajude a pensar. É que, por pura subserviência, todos deram a Ricardo o privilégio de pensar por eles, uma espécie de culto à personalidade e ritual da veneração. Chama-se a isso acefalia coletiva histérica automutilante, um transtorno cerebral surtado em que súditos oferecem aos reis em sacrifício e honra as suas próprias cabeças. É um escravismo mental deprimente, próprio das seitas bajulatórias que idolatram os ditadores de esquerda no mundo inteiro. 

Foi Zé Dirceu, o menos surtado dos petistas radicais, quem convenceu Lula a fazer pacto com o feudalismo político do país para ganhar a eleição. Lula nunca mais foi o mesmo – nem Zé Dirceu, mas pelo acordo espúrio Lula chegou à presidência e realizou o governo que sonhava. E os pobres do Brasil nunca mais foram também os mesmos pobres, somente porque em torno de Lula outras cabeças podiam pensar. 

Diferentemente de Lula, Ricardo quer enfrentar feudos e pobres ao mesmo tempo, a cada um reservando um tipo específico de mal. Assina, mas não cumpre os pactos da eleição e estabelece a tirania do medo como arma de subjugar os aliados, servidores públicos e jornalistas, como se todos no Estado lhe devessem o culto de adoração. 

Por enquanto, é o medo que está governando o governo. Virou pânico. Mas Ricardo acha que quem governa é ele. Talvez seja, porque o medo e Ricardo são a mesma pessoa governando um governo democrático de uma cabeça só. 

*Este artigo integrará o futuro livro:

‘PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’

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