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São usuais entre nós as referências ao ‘tabuleiro político’, expressão cunhada para designar o local onde ocorrem as operações e estratégias dos grandes líderes políticos em face das eleições ou na construção das alianças partidárias, a qualquer tempo, até para fazer coalizões de governo no pós-eleição.

                        É como se fosse um jogo de xadrez onde cada peça tem sua função especifica e se move levando em consideração certos interesses, em nome de uma orientação tática. Tabuleiro, no caso, é a mesa, a base ou território por onde se desenvolve o jogo, cada jogador usando seu plano secreto na busca da sobrevivência.

                        Na Paraíba, as principais peças do tabuleiro político são conhecidas, têm denominação própria e se movimentam em direção aparentemente clara, mas os planos secretos de cada um são os mistérios do jogo. Afinal, assim como no xadrez verdadeiro, para que algumas peças ganhem no tabuleiro outras terão de perder. Faz parte. É a regra.

                        Ricardo Coutinho é um jogador arguto que joga diferente dos demais. Toda vida em que um noviço entra no jogo tradicional, o jogo não é mais o mesmo. Recomenda a arte mínima da guerra que toda vez que um oficial novo chega ao generalato, os estrategistas terão de estudá-lo antes de montar as operações bélicas, especialmente se ele revelar-se desafiador e belicoso antes mesmo dos confrontos e de ser general.

                        RC não olha muito o tamanho e a importância das peças postas no jogo. Olha o tabuleiro. Tem tática esquisita para os padrões estabelecidos. Ele mira o território, avalia aonde quer chegar e, em vez de enfrentar logo as peças adversas, balança o tabuleiro – chacoalha tudo e abre seu próprio caminho. É uma espécie de ‘Teoria dos abalos’ (inventada por um vidente), segundo a qual nas instabilidades e tremores sísmicos certos corpos físicos precisam se agarrar a outros para sobreviver. E serão mortos os que não se agarrarem. E RC acha que o único corpo que pode segurar os outros é o seu. Ele seria um imã.

                        OS ABALOS TANTO JUNTAM COMO SEPARAM

                        Usuário dos sismos como técnica de dominação e defesa, RC bagunça o tabuleiro para ver quem se desgarra ou se agrega, a fim de sobreviver ou morrer. Parece gênio.

                        A teoria dos abalos seria infalível se as pedras corressem para um lado só. E desse lado estivesse sempre RC com seu poder de magnetizar. Agora, por exemplo, o tabuleiro sofre grandes tremores – do jeito que RC mais gosta -, mas as grandes peças estão todas indo noutra direção. É que, nos abalos, pedras distantes se juntam e as próximas se desgrudam, por força da gravidade, uma lei física que governa o movimento de todos os corpos materiais para onde eles se deslocam. RC despreza essas leis interferentes e teima em desconhecer também a espécie humana que habita fora de seu próprio corpo. Só não morrerá, se a pedra onde se agarrou noutros tremores do tabuleiro quiser – por medo, fraqueza ou negligencia – correr seus próprios riscos de sobrevivência para salvar novamente a peça que cria terremotos mas não sabe sair deles sozinho.

                        Há ainda alguém que ache que Cássio, Vené, Maranhão e Cícero, as peças mais decisivas dessa turbulência, não estão sendo juntadas pelos efeitos da gravidade e do terremoto chamado RC?

Este artigo integrará o futuro livro:

‘PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’

E-mail: gilvanfreireadv@hotmail.com