Fale Conosco

Até 2014, a Paraíba só terá dois partidos importantes. Os demais serão apenas coadjuvantes. Mesmo que haja no Estado siglas partidárias de peso e líderes influentes, as disputas até lá se darão em torno de nomes locais sob o peso dos dois maiores líderes do Estado que ainda galvanizam a simpatia do eleitor: Cássio Cunha Lima e Zé Maranhão. É evidente que o governador Ricardo Coutinho tem muita importância no pleito municipal, mas os candidatos do interior querem a presença em palanque dos dois últimos governadores. É fiança que pode decidir a eleição do candidato em qualquer lugar. 

Correndo por fora, mas querendo roubar a cena, aparece Veneziano. Ele é outro Cássio, tem empatia com o público, seduz o eleitor e oferece o que Zé Maranhão parece não oferecer mais, a não ser em João Pessoa, ainda, a expectativa de poder – uma iguaria que deixa água na boca dos que precisam de emprego público e prestígio. 

                        CÁSSIO X VENEZIANO NA RINHA COMUM 

Em Campina Grande, a coisa é um pouco diferente. Lá Veneziano e Cássio disputam entre si ainda quando não são candidatos. Isso vem desde o tempo em que Enivaldo Ribeiro cansou nos confrontos e perdeu espaço para quem tem mais cabelo, voto e charme do que ele, um Sansão em versão dos novos tempos, que tem mais força na palavra e na idade que nas tranças ou madeixas. Ainda não se sabe quando Cássio e Veneziano vão subir no mesmo palanque. Perto ou distante, será quando Campina Grande quiser. Eles são espiritualmente (e eleitoralmente) subjugados a ela. É dependência químico-humana. Uma espécie de adoração ou fetiche[1]

                        A GRANDE ARENA SEM GRADES 

Em João Pessoa, território livre de donos, a disputa de 2012 absolve ou condena dois governos de uma vez só. Trata-se de um governo unicelular, com um gerente geral e outro auxiliar. É a primeira vez na história que a política tenta inventar literalmente um dono da cidade, de cima para baixo. O problema é que depende… Depende de mais de 460 mil eleitores. Até hoje, ninguém viu um único morador da Capital gritando histérico: “Eu quero um donoooooo!” 

Poucas vezes se terá visto em João Pessoa uma campanha tão apaixonante e áspera como será em 2012. Vão se enfrentar amores e ódios. As ruas ficarão estreitas para tanta gente. Ou as urnas ficarão pequenas para abrigar protestos invisíveis e multidões do imaginário coletivo. Tudo capitaneado pelos dois partidos únicos: governo e oposição. O resto é periférico. E sem graça.

Gilvan Freire