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O ativista político e fundador do site  WikiLeaks, Julian Assange, fez na manhã desta quinta-feira um ataque aos conglomerados de mídia com os quais colaborou um dia. De acordo com ele, dois dos maiores jornais do mundo, oNew York Times (NYT) e o The Guardian, estão comprometidos com os governos de seus países e não com o interesse dos leitores. “Em nossos negócios com os maiores grupos de mídia, vimos constantemente a diferença de o que a população quer e os enfoques que estes grupos tomam”, disse.

Em relação ao Guardian, Assange disse que seu site disponibilizou documentos que mostravam uma infiltração do crime organizado no governo da Bulgária listando empresas que faziam parte do esquema. De acordo com ele, o jornal inglês publicou apenas parte da história, escondendo nomes. Já o NYT teria deixado de publicar informações sobre crimes de guerra supostamente cometidos pelo exército americano que mereceram capa no semanário alemão Der Spiegel.

“A censura que temos no Ocidente hoje em dia é diferente daquela ideia que temos da polícia chegar em sua casa e vasculhar suas coisas. Isso pode acontecer, aconteceu inclusive com gente nossa. Mas o que mais acontece é esconder uma verdade divulgando mentiras”, disse. Ele afirmou que o governo norte-americano gastou “bilhões de dólares” produzindo material jornalístico falso, como fotos e releases, nas guerras mais recentes. Ele também atribuiu à divulgação de notícias falsas as acusações que pesam contra ele em seu país de origem, a Austrália.

Em sua primeira palestra por teleconferência de Norfolk, depois de ter decretada prisão domiciliar pela Justiça da Inglaterra, no evento digital “Infotrends”, Assange negou as acusações de agressão sexual que pesam contra ele na Suécia. Segundo ele, está cumprindo pena “sem acusação formal” e associou sua situação a um panorama político do mundo em que “o Estado de Direito rui na sociedade ocidental”. Para ele, organizações criminosas “pouco a pouco” se infiltram nos governos e influenciam em suas tomadas de decisões. “Carteis de drogas estão saindo do México, migrando para El Salvador e se infiltrando no governo daquele país”, disse

Ele citou como exemplo de corrupção e violação dos direitos humanos a prisão de uma base americana em Cuba. “Assim como pessoas escondem dinheiro em paraísos fiscais, o governo dos EUA esconderam pessoas em Guantanamo”, disse. O Brasil foi citado como um dos países em que existe imprensa livre, “forte e imparcial”.