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EXCLUSIVO – Em sua coluna no jornal Correio da Paraíba o jornalista Helder Moura estranhou a disparidade entre duas pesquisas recentes. Ele não é o primeiro e nem será o último formador de opinião a questionar números esdrúxulos variando e deixando todo mundo com pulgas atrás da orelha.

Como duas pesquisas divergem tanto a ponto de em uma o prefeito Luciano Agra liderar e instantes depois em outra ele aparecer em terceiro lugar?

Considerando que os flagrantes foram feitos dentro de um mesmo mês e que não houve nenhum fato novo capaz de modificar a fotografia da opinião pública, alguém está mentindo e manipulando dados para favorecer ou desfavorecer o prefeito Luciano Agra.

Na pesquisa divulgada pela Revista Polítika, cuja contracapa veicula uma propaganda da PMJP, o instituto OP-DATA, supostamente de Fortaleza, aponta Agra na dianteira com 20,16%; no DATAVOX ele só cravou 10,9%.

Como pode uma sondagem variar 10 pontos em um intervalo tão pequeno? Alguém está querendo camuflar o fato de as ações de mídia da PMJP não estarem bem posicionadas e com baixo recall. Dizem que tem um filme da PMJP no ar, mas até agora eu não vi. Você viu?

Pesquisei e descobri que o Instituo OP-DATA é aparentemente fantasma, pois nunca registrou uma pesquisa no TRE do Ceará, não tem registro exigido por lei no conselho da categoria e ninguém sabe quem é o seu estatístico ou o numero do registro dele.

Mais que isso, ninguém lá em Fortaleza ou no interior do Ceará ouviu falar neste instituto e sobre ele não há menções na internet e ainda paira a suspeita de que a turma que o comanda seja a mesma que esteve envolvida em um escândalo de venda de pesquisas falsas usando o nome do Ibope. Isso põe em cheque os números divulgados pela revista Politika em todo os municipios pesquisados, inclusive Campina Grande.

Ao contrário do DATAVOX, que tem estatístico formado e registrado, menções sobre pesquisas feitas, inclusive uma que causou polêmica e que eu mesmo questionei, mas que com a abertura das urnas se confirmou e previa a vitória de Ricardo Coutinho, o OP-DATA é um ponto de interrogação no horizonte cinzento.

Mas aí vem outro questionamento. De quem é a Revista Politika? Pertence ao dublê de radialista e empresário com ascensão duvidosa e fulminante Fabiano Gomes, o maior ícone da política de comunicação oficial do Coletivo Ricardo Coutinho, o popular locutor chapa branca, que interpreta com razoável talento os scripts redigidos pela cabeça de Nonato Bandeira, secretário de Comunicação do Governo.

E, cá pra nós, de fantasmas Fabiano entende, pois foi ele quem disse ter arrebatado do MP a lista dos mortos muito vivos da folha do estado.

Achou mais um: a OP-DATA.

Perguntar não ofende: porque as duas pesquisas realizadas recentemente pelos respeitados institutos Consult e Opinião não foram divulgadas?

A resposta é que os números não foram favoráveis a Luciano Agra, como atestou o DATAVOX, e tiveram que mergulhar no submundo para encontrar um que se prestasse ao papel de fabricar números para a divulgação.