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Para ajudar a explicar alguns motivos que estão fazendo o ministro Alfredo Nascimento ser afastado da pasta, apesar da defesa feita, em primeiro momento, pela presidente Dilma, leia a postagem feita por Josias de Souza hoje pela manhã em seu blog no site da Folha:

“O arquiteto Gustavo Morais Pereira, 27, filho do ministro Alfredo Nascimento (Transportes), é alvo de investigação do Ministério Público Federal.

Apura-se a suspeita de enriquecimento ilícito. No miolo do processo, está a Forma Construções, uma das empresas de Gustavo.

Em dois anos de funcionamento, de 2005 a 2007, a Forma foi submetida a um inusitado regime de engorda.

Nascida com um capital social de R$ 60 mil, a firma do filho do ministro amealhou patrimônio de mais de R$ 52,3 milhões. Cresceu 86.500%.

Deve-se a informação aos repórteres Jailton de Carvalho e Gerson Camarotti. Em notícia veiculada nesta quarta (6), a dupla relata:

1. A investigação da Procuradoria foi aberta no Amazonas, ano passado. Nasceu de um negócio celebrado entre Gustavo e a firma SC Carvalho Transportes e Construções.

2. Beneficiária de verbas do ministério gerido pelo pai de Gustavo, a SC Carvalho repassou à empresa do filho do ministro R$ 450 mil.

3. A transação ocorreu em 2007. No mesmo ano, a SC Carvalho recebeu R$ 3 milhões do Fundo da Marinha Mercante, gerido pela pasta dos Transportes.

4. Em 2008, a empresa foi aquinhoada com mais R$ 4,2 milhões do mesmo fundo. Apura-se o conflito de interesses.

5. A SC Carvalho está registrada em nome Marcílio Carvalho e Claudomiro Picanço Carvalho.

6. Em 2006, um ano antes de sua empresa começar a receber verbas da pasta dos Transportes, Picanço borrifou R$ 100 mil nas arcas eleitorais de Nascimento.

7. O empresário figura nos registros do TSE como principal doador da campanha do ministro ao Senado. Doou também R$ 12 mil ao PR, à época ainda chamado de PL.

8. Marcílio Carvalho, sócio de Picanço na SC, é marido de Auxiliadora Carvalho, nomeada por Nascimento para chefiar o escritório que administra o Dnit no Amazonas e em Roraima.

9. Ouvido pelo Ministério Público, Gustavo disse que os R$ 450 mil que recebeu da SC Carvalho referem-se à venda de um imóvel. Não convenceu.

10. Chamou a atenção da Procuradoria o crescimento meteórico da empresa do filho de Nascimento.

11. Gustavo tinha 21 anos em 2005, quando inaugurou, com outros dois sócios, a Forma Construções.

12. No ano seguinte, a empresa já somava ativos de R$ 17,7 milhões. Em 2007, declarou à Receita Federal patrimônio de notáveis R$ 52,3 milhões.

13. Procurado, o ministro manifestou-se por e-mail. Ecoando o filho, disse que o depósito da SC Carvalho em favor da firma de Gustavo é fruto da venda de um imóvel.

14. De resto, Alfredo Nascimento negou que mantenha relações com os proprietaries da SC Carvalho.

15. Em outra notícia, assinada pela repórter Mariângela Gallucci, fica-se sabendo de um detalhe curioso sobre a escrituração da campanha eleitoral de Nascimento.

16. Nada menos que 91,32% das verbas doadas ao ministro no ano passado, quando disputou o governo do Amazonas, ingressaram no caixa de forma oculta.

17. Significa dizer que o dinheiro entrou pelo caixa geral ou pelos diretórios estadual e nacional do PR, o partido de Nascimento.

18. Quando isso ocorre, o candidato não é obrigado a fornecer os nomes dos doadores à Justiça Eleitoral.

19. De acordo com os dados levados por Nascimento aos arquivos do TSE, sua campanha custou pouco mais de R$ 10,8 milhões.

20. Desse total, R$ 8,8 milhões vieram do comitê financeiro único do PR; R$ 626,8 mil, do diretório estadual da legenda; e R$ 450 mil, do diretório nacional.

21. A assessoria de Nascimento informou: “Os recursos arrecadados na disputa eleitoral foram todos distribuídos pelo partido”. As contas foram aprovadas pela Justiça”.

Blog do Josias