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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de lançar o terceiro volume do seus “Diários da Presidência”, em que critica duramente a imprensa.

FHC reconhece que abusou do direito de espernear, embora tentasse reagir “sine ira et studio” (sem ira nem parcialidade). Realmente, ele descarrega sua ira com imparcialidade, atirando indiscriminadamente. Além da imprensa, seus alvos são ministros, políticos, empresários, banqueiros, professores, sindicatos e a sociedade em geral. Muitas observações, feitas com irritação e desencanto, não deixam de ser pertinentes. Ele vê um país ancorado no passado, de costas para o mundo, com uma elite resistente às mudanças para não perder seus privilégios.

Sua percepção do país é negativa. Há uma “sociedade colonial, subdesenvolvida, arrivista, com muita mobilidade e, ao mesmo tempo, muita ganância”. Nela é muito difícil instituir liderança democrática porque todos querem o autoritarismo ou o populismo: “Ou o berro ou a espada, o chicote, ao estilo Antônio Carlos, ou então o populismo. Às vezes os dois juntos”.

Um problema é a classe média. “A classe média burocrática, a classe média que está instalada em vantagens no Estado”, que fica amedrontada com a possibilidade de mudança do sistema. Um exemplo que dá é a universidade, onde a média de aposentadoria é com menos de 50 anos. É uma classe com uma renda per capita de país europeu num país em que o salário mínimo, na época, era de R$ 120. Pergunta: “Quem ousa falar da reforma da previdência pública?”. O que se quer, assegura, é “o não trabalho remunerado”.

Amídia, para FHC, não está à altura de seu papel. É provinciana, maliciosa, irresponsável, confusa, pessimista e gosta mesmo da picuinha e da intriga. Só publica notícias negativas e sente necessidade de ver o abismo por perto. Os jornalistas não sabem das coisas e opinam como se fossem deuses. “A imprensa tem um pacto, subconsciente eu creio, com a bandalheira”. Os jornais preferem, em vez da verdade, aquilo que faz mais barulho.

Ele se sente perseguido.