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Gosto de Josias de Souza, colunista da Folha de São Paulo, pois assim como este blogueiro, consegue manter o humor mesmo diante de pérolas da política brasileira. Como, por exemplo, a recente fala do ex-ministro da Justiça e atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, condenando a ação investigativa da imprensa, que descobre e denuncia corruptos.

É que o PT bandido, aquele que se lambuza com o tal mel vertido dos cofres públicos, acha que a imprensa só é bacana para denunciar os adversários e quando nossa metralhadora giratória alcança o lombo petista a chiadeira é grande.

Leia o artigo:

Tarso Genro, o governador petê do Rio Grande do Sul, construiu uma curiosa teroria sobre corrupção e mídia. Ele a expôs num evento do Ministério Público gaúcho.

Ex-ministro da Justiça de Lula, Tarso acha que há no Brasil um “tribunal comunicacional”, operado pelas “grandes cadeias de comunicação.”

Para Tarso, “os casos mais graves e emblemáticos de corrupção são investigados pela mídia” e submetidos a “mecanismos paralelos de justiceamento arbitrário.”

Tarso esmiuçou o raciocínio: “É uma espécie de fascismo pós-moderno. O conteúdo enterra a forma. A informação substitui a instituição.”

O fenômeno, disse Tarso, “faz vibrar a classe média ingênua” e os adversários políticos do governo. “Esquecem que podem ser os próximos réus.”

Sem querer -ou querendo, nunca se sabe- Tarso terminou por alvejar Dilma Rousseff.

Como que rendida à vibração da classe média, a presidente antecipa-se às sentenças do “tribunal comunicacional”.

Dilma já levou à bandeja os escalpos de cinco ministros, quatro deles moídos pelo noticiário. Está na bica de descer a lâmina pela sexta vez.

Tarso diz que a “informação” da imprensa que imprensa “substitui a instituição.” Tolice. Na verdade, a informação vira matéria prima da instituição.

Das manchetes, as notícias saltam para denúncias do Ministério Público. Dali, para processos judiciais. Que podem virar ações penais ou recheio de arquivo.

Um dos “casos mais graves e emblemáticos de corrupção” já investigados pelo “tribunal comunicacional” resultou na denúncia do mensalão.

Redigida pelo Ministério Público Federal, foi convertida em ação penal pelo STF. Aguarda na fila de julgamentos. Uma fila apinhada de réus companheiros.

Tarso fala em “justiçamento arbitrário”. Decerto acha que os repórteres deveriam submeter-se ao tempo do Judiciário, que caminha em ritmo de tartaruga paraplégica.

O governador fala em “fascismo pós-moderno”. Talvez devesse desperdiçar um naco do seu tempo para emprestar o seu talento teótico à construção de uma teoria sobre o “ladronismo pós-pós.”