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É claro que quando uma instituição com mais de quatro séculos, com uma história brilhante, não apenas em atendimento, mas na formação profissional e pesquisa, sem dúvida alguma, um dos maiores centros de referência hospitalar do país, fecha suas portas por problemas financeiros, é capaz de chamar toda a atenção para si.

A Santa Casa de São Paulo tem o maior cadastro de medula óssea do Brasil, possui o primeiro Centro Brasileiro especializado no Tratamento de Esclerose Múltipla (CATEM), foi por várias vezes recordista mundial em número de doações de órgãos, possibilitando a realização de uma quantidade significativa de transplantes de rins, coração, pulmões, fígado e pâncreas, pioneira em várias ações, como por exemplo, redução e reciclagem de material hospitalar. E muito mais se poderia dizer, já que a instituição atua em diversas áreas da saúde e possui um corpo clínico respeitabilíssimo.

Entretanto, quando isto acontece, quando há falha no planejamento financeiro para o atendimento e cuidado de uma coisa chamada vida, mostra-se que vivemos em um país que estabelece equivocadamente suas prioridades. Através dessa experiência, podemos, com facilidade, inferir sobre as condições existentes em outros centros, pois que, se a cidade mais rica da América Latina paralisa o atendimento aos seus doentes, outras regiões, certamente, continuam a dar trabalho aos seus coveiros.

Basta olharmos ao redor e avaliarmos, em nosso estado, o serviço prestado nos hospitais, as condições de trabalho dos profissionais de saúde, a falta de estrutura mínima e veremos que, no Brasil inteiro, a saúde agoniza sem atendimento.

Ainda tomando São Paulo como referência, segundo a Folha, o governo estadual pretende repassar, em dois anos, R$ 345 milhões, para a Santa Casa. Enquanto que, de acordo com o portal G1, somente nesses meses para a campanha ao cargo de governador, os candidatos daquele estado gastarão R$ 324 milhões. Nota-se que para o país não falta dinheiro, faltam escolhas e direcionamento.