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Quando a secretária de Finanças Aracilba Rocha subiu os degraus do Poder Legislativo dois observadores que estavam sentados em um banco da Praça dos Três Poderes tiveram a impressão que ela carregava em uma das mãos um chinelão de couro. “Parecia uma diretora de coégio interno indo castigar alunos peraltas”, me disseram.

Quando passou pela recepção os primeiros jornalistas que a entrevistaram juram até agora que sentiram cheiro de pólvora exalando das suas áxilas.

Soltou a língua antes de chegar à porta do Plenário argumentando para uma platéia de jornalistas incrédulos que na Paraíba de mais de três milhões de habitantes e apenas 117 mil servidores estaduais tudo estava na mais absoluta paz.

Eu troquei olhares com ela já dentro do Plenário e confesso que o peso da idade e os contratempos da vida lhe tiraram a serenidade.

Era Aracilba quem estava ali e ela sempre teve uma porção de Margareth Thatcher dentro de si. Afinal, quem se emancipou e quebrou barreiras convivendo com o raposal desde a época da ditadura no velho MDB de guerra, merece um desconto.

Respeito a história dos outros a parte, a dama de ferro piorou a carranca que lhe é característica com a convivência com o também carrancudo governador.

Quero passar a mão naquele lenço que lhe circunda a cabeça para lá do passado trazer a militante histórica, mas o espetáculo desagradável que ela protagonizou não tem como deixar de ser inserido na sua história. Que decadência!

Ela foi à tribuna e parecia uma militante muçulmana defendendo os desatinos de Maomé: guerra santa, jirrad islâmica!

Por um segundo tive a impressão que ela era uma mulher bomba e que segurava o microfone com uma mão e o acionador dos explosivos presos ao corpo no outro.

Justiça seja feita, ela só conseguiu ser dócil e centrada quando viu um jovem militante com o coração acelerado batendo 40×40 lá no fundo Plenário. Era um dos três ou quatro presentes que aplaudiam a loucura de justificar o injustificável.

O recém-nascido nas espertezas e hipocrisias da política ameaçava peitar o Major Fábio sozinho e por instantes percebi que neste início de governo Ricardo nem a claque funciona.

Aracilba perdeu a pose e a lucidez, mas no final se recuperou por ser a única da equipe que trouxe informações concretas para o debate. Outra coisa, tive a impressão que os marmanjos se acovardaram atrás da saia da velha dama de ferro.