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Num futuro não muito distante, quando o país tiver alcançado um nível de desenvolvimento social e cultural compatível com o grau de crescimento econômico que vem obtendo nos anos recentes, o povo olhará para trás e lerá pela história, senão pela memória dos últimos sobreviventes, que o Brasil que transpôs o século 20 para o século 21 foi uma perversa máquina de moer dinheiro público em favor de sua elite política.

É verdade que o Brasil sempre foi assim, um mar de riqueza material a serviço das classes dominantes e sua elite dirigente, em detrimento dos pobres que desde o regime escravocrata doaram a vida, o pauperismo, a fome e a liberdade para que houvesse a prosperidade dos exploradores. É uma monstruosidade aterradora, que deverá está se exaurindo até os próximos 20 ou 30 anos, a medir pelo que está acontecendo na China e na Coréia e noutras nações emergentes do mundo, que em igual tempo e com ímpeto econômico estão contemplando grandes conquistas na equidade social e na construção da cidadania.

Apesar das transformações culturais do mundo pós-moderno, as nossas esperanças, contudo, hão de ser ponderadas, porque a China com sua agigantada revolução industrial, sem precedentes na história da humanidade, acaba de apertar o cerco contra a corrupção, um verme que desafia e corroi a ditadura política chinesa tanto quanto suga o dinheiro do povo na democracia brasileira. Mas vamos adiante. 

                        AINDA HÁ ESPAÇO PARA PIORAREM OS COSTUMES

Na Paraíba, não muito diferente do que acontece noutros Estados, é a atividade política a que pratica a maior pilhagem do dinheiro público, pois há anos (e nos últimos anos tem se agravado muito) a sobrevivência de algumas lideranças e suas famílias vem sendo alimentada pela máquina estatal. 

É impressionante o que os líderes fazem para se manter no poder em matéria de absurdos no manuseio das rendas oficiais, ou o que patrocinam nas disputas em que tenham interesses diretos. Em Campina Grande, por exemplo, já faz tempo que o dinheiro público campeia nas eleições locais, ou a custa do Tesouro do Estado, ou pelo custeio da administração municipal, mas tudo por meio de uma sangria em que, logo que passadas as eleições, se sabe onde o dinheiro público passou a fazer falta. Grandes líderes e seus satélites viraram maníacos no uso indevido dos recursos da população. 

Noticiário dos últimos dias, a partir do jornalista e blogueiro Helder Moura, dando conta de que Luciano Agra teria dado a vereadores, individualmente, que seguiram a sua dissidência no mundo girassol, algo em torno de mil empregos sem concurso público, é um sinal gravíssimo de alerta com relação aos novos tempos e as noviças lideranças. E é absolutamente certo que os favores ilegais e imorais não ficaram só nisso e nem em vereadores somente. O cesteiro que faz um cesto, faz uma centena.

Vamos verificar agora como se comportam os favorecidos diante do caos administrativo que criaram com os abusos perpetrados para garantir o poder e desempatar as disputas políticas e as arengas pessoais, já que a população não tem bons motivos para comemorar nada, porque nada de bom ganhou. Estamos do mesmo jeito que sempre estivemos, mas com o direito de poder piorar ainda mais. É desanimador, mas é o preço caro de nossa trajetória histórica e da vitória sobre os maus homens públicos. O alento é que, num certo tempo, entre subidas e descidas, todos eles desaparecerão. E nem sequer terão deixado memórias. É também o preço deles.Este artigo integrará o futuro livro:

Gilva Freire

‘PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’

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