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Não tardará, talvez até o final do mês, ou antes, o governo vai tomar alguma decisão com relação a segurança pública no Estado. É muito tarde no sentido de que poderia ter tomado antes, pois já são decorridos 14 meses de gestão e o caos instalou-se diante da incapacidade governamental de sentir de perto as aflições da sociedade. Crimes bárbaros, estúpidos, animalescos, foram cometidos e os bandidos descobrem que o governo está fragilizado.

                        Não tem mais jeito mesmo: ou o governo e os outros poderes acordam dessa letargia vexatória que deixa as instituições de cócoras perante o povo, ou vai haver reação popular.

                        Querem o quê? Que morram juízes, desembargadores, promotores, deputados, conselheiros do Tribunal de Contas, ou seus filhos e parentes próximos, para que haja uma manifestação dos poderes, é?

                        Será que essas autoridades não estão vendo que o governo está sitiado pelo banditismo e que as organizações criminosas estão avançando sobre uma sociedade indefesa que não encontra poderes públicos para defendê-la?

                        Será que entre os gravatudos não há um mínimo de consciência de que esse governo está descompensado e isolado da população e das organizações sociais e caminha para o abismo?

                        O que há? É medo, frouxura, covardia, omissão, cumplicidade, indiferença, comprometimento? Porque ninguém se move? Pra que serve essa tal Comissão Interpoderes, é para aceitar que se estabeleça no Estado um regime totalitário de poder único, que viola a independência dos demais poderes, capa seus duodécimos, impede o seu funcionamento e a expansão de seus serviços, descumpre leis, e ainda impõe o silencio de seus mandatários?

                        Querem apitáços e revoltas em frente dessas sedes luxuosas para que se acordem os homens e seus deveres públicos que não podem dormir enquanto a população pede socorro? É isso que querem? Estão confiantes numa imprensa que deserta também de sua função social e faz o jogo dos poderes inertes? Não temem as redes sociais, que monitoram e entregam à policia facínoras em flagrante e está fazendo uma revolução de massas na Paraíba e no Brasil?                       

                        Salários estratosféricos, mordomias e privilégios descabidos servem para aumentar ou diminuir as responsabilidades dos homens públicos?

                        Será agora, sim, quando o caos está instalado, quando o governo deriva, quando a população chega ao grau mais elevado de irritação e medo, que alguém vai se mover. Ainda que seja um governante enclausurado que perdeu a capacidade de pelo menos ouvir o clamor público, porque tampou os ouvidos aos que não se submetem a seu chicote e suas manias de deus mitomaníaco e alucinado. Se os demais detentores de poder aceitam, ele tem todo direito de achar que o povo se obriga. Ele acha.

                        Vamos ver em que vai dar essa brincadeira envolvendo uma sociedade reprimida e violentada e um aparato de poderes estatais que também acha, por negligência e comodidade elitista, que nada tem a ver com isso.

 

Este artigo integrará o futuro livro:

‘PREVISÕES POLÍTICAS DE UM VIDENTE CEGO’

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